Ruben Amorim fora do Manchester United: Os bastidores de um desfecho anunciado explicados pelo ‘The Athletic’ à RUM

Questionado pela Universitária, Laurie Whitwell, correspondente do 'The Athletic' (New York Times), analisou o despedimento de Ruben Amorim. Entre um ultimato à direção e o braço de ferro tático, o jornalista britânico revela por que razão o projeto de 14 meses chegou ao fim em Old Trafford.
A análise completa de Laurie Whitwell:

Ruben Amorim já não é o treinador do Manchester United. O técnico português foi hoje demitido do comando dos ‘Red Devils’, colocando um ponto final a uma ligação de 14 meses marcada por forte tensão interna. Em declarações à RUM, Laurie Whitwell, jornalista do The Athletic, a publicação desportiva do grupo New York Times, revela os detalhes da rutura entre o treinador e a estrutura do clube.

Segundo Laurie Whitwell, o ponto de não retorno aconteceu após o recente jogo em Elland Road, no empate a uma bola diante do Leeds United, onde Amorim terá confrontado diretamente a hierarquia da Ineos, gigante multinacional liderada pelo multimilionário britânico Jim Ratcliffe e que detém o controlo total das operações de futebol do Manchester United desde 2024, tendo implementado um modelo de gestão mais corporativo e focado numa estrutura técnica rígida. O jornalista explica que o técnico tentou forçar uma clarificação da sua posição perante este novo organigrama:

“Ele efetivamente disse à direção para o apoiar ou o despedir. Afirmou ser o manager e não o head coach, embora tenha sido nomeado com o título de head coach. Claramente, ele estava a insinuar problemas nos bastidores com a hierarquia sobre questões como a formação tática, escolhas de jogadores e transferências.”

Esta divergência sobre a autoridade de Amorim terá sido o catalisador para uma decisão que Whitwell descreve como “bastante significativa”, tendo em conta o investimento e a fé depositados pela Ineos no projeto. No entanto, a instabilidade já se fazia sentir há vários meses, com o próprio técnico a demonstrar publicamente alguma insegurança.

“O seu tempo no United foi turbulento. Ele próprio colocou o seu futuro em causa várias vezes, questionando se teria as capacidades para o cargo e criticando os seus jogadores, particularmente após a derrota na Carabao Cup frente ao Grimsby. Esse pareceu ser um momento crucial.”

A par do desgaste na relação com o plantel, a análise do repórter do The Athletic aponta para uma colisão direta entre as convicções táticas de Amorim e a visão de Jason Wilcox, o diretor de futebol nomeado pela nova administração. A insistência no sistema de três centrais e o falhanço em assegurar alvos no mercado de inverno acabaram por selar o destino do treinador português.

“Claramente, os problemas foram-se deteriorando nos bastidores devido à formação tática. A sua convicção no sistema de três centrais sofreu alterações e houve a questão das transferências; tentaram a contratação de Antoine Semenya, um jogador que Amorim queria muito, mas não foram capazes de o convencer a juntar-se ao clube.”

Com o fim da “era Amorim” após apenas 14 meses, ficam agora as perguntas sobre o futuro da gestão de Jim Ratcliffe e dos Glazers. Laurie Whitwell sublinha que o desfecho deixa um rasto de desilusão em Old Trafford, especialmente pela forma como a estrutura falhou em integrar um treinador de perfil tão vincado.

“Restam grandes questões para a hierarquia que o nomeou, sabendo como ele era: o seu carisma, mas também o facto de ser um indivíduo de personalidade forte e o estilo de jogo que ele iria implementar. A formação tática era, obviamente, conhecida à partida.”

O Fim de Mais Uma Era

O “Teatro dos Sonhos” transformou-se, mais uma vez, num palco de pesadelos para um treinador promissor. A aposta de 14 meses em Ruben Amorim, que chegou a Inglaterra com o rótulo de um dos técnicos mais cobiçados da Europa após o sucesso no Sporting, revelou-se um erro de casting dispendioso para a Ineos.

Ficam agora as perguntas sobre o futuro da gestão de Jim Ratcliffe. O desfecho deixa um rasto de desilusão em Old Trafford e aumenta a pressão sobre a estrutura, que falhou em integrar um treinador de perfil tão vincado e continua sem conseguir devolver o gigante inglês aos títulos relevantes desde a saída de Alex Ferguson.


“Foram 14 meses para Ruben Amorim e fica uma grande desilusão por o projeto não ter funcionado.”

— Laurie Whitwell, The Athletic

a Voz do the athletic em old trafford

Laurie Whitwell (Foto: Manchester United)

Laurie Whitwell é o correspondente principal para o Manchester United no The Athletic, a plataforma de desporto do grupo New York Times, reconhecida mundialmente pela sua cobertura aprofundada e acesso exclusivo aos bastidores da Premier League.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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Carolina Damas
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