Quercus celebra sistema de depósito de embalagens e reembolso, mas alerta para possíveis limitação

Há já alguns anos em funcionamento em vários países na Europa, o SDR que agora chega a Portugal vai reembolsar em 10 cêntimos cada garrafa de plástico PET e lata de metal até 3 litros recolhidas. Portugal é o 19º país europeu a implementar esta estrutura que, por enquanto, ainda não aceita embalagens de vidro.

A Quercus saúda a chegada do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens a Portugal, ainda que tardia, mas sublinha necessidade de ajustes futuros para que se adapte às metas e perfis de consumo nacionais. O ‘Volta’ já está em funcionamento em 2500 supermercados e hipermercados, por todo o país, e prevê abranger as cerca de 2,1 mil milhões de embalagens de bebidas de uso único consumidas em Portugal.

Há já alguns anos em funcionamento em vários países na Europa, o SDR que agora chega a Portugal vai reembolsar em 10 cêntimos cada garrafa de plástico PET e lata de metal até 3 litros recolhidas. Portugal é o 19º país europeu a implementar esta estrutura que, por enquanto, ainda não aceita embalagens de vidro.

Esta é, precisamente, uma das limitações que a Quercus assinala ao sistema português. A recolha de embalagens de vidro, como já acontece na Alemanha, Finlândia, Dinamarca, entre outros países, “seria um passo óbvio para impulsionar a
recolha seletiva deste fluxo” o qual tem estado estagnado nos últimos anos e teve até quebra de 1% no ano passado, comprometendo a meta de reciclar 75% até 2030.

Além disso, Alexandra Azevedo, presidente da Direção Nacional da Quercus, lamenta que não tenha sido ponderado o regresso da retoma de garrafas de vidro com tara recuperável, que mesmo aplicada em simultâneo com o SDR, seria a opção mais sustentável.

Alexandra Azevedo explica limitações do sistema

“Se pensarmos naquilo que é a hierarquia da gestão de resíduos e a hierarquia dos 3Rs, reduzir e reutilizar são os primeiros e aqueles que devem ser prioritários. Este sistema aplica-se o melhoramento das taxas de reciclagem, portanto, o terceiro ‘R'”

Para além dos grandes estabelecimentos comerciais, o SDR vai abranger também, através dos pontos de recolha manual, o pequeno comércio e o Canal Horeca (Hotelaria, Restauração e Cafetaria/Catering), “onde são consumidas garrafas e latas de bebidas de uso único em quantidades consideráveis”.

Consciente de que o sistema ainda está numa fase inicial, a dirigente revela existirem “algumas questões relativamente à existência alargada do sistema nos vários estabelecimentos” e até a sua adaptação a grandes eventos pontuais, “associados a um grande consumo de bebidas engarrafadas ou enlatadas” tais como festivais e eventos desportivos.

Dirigente enumera questões e dúvidas sobre implementação do sistema

“Claro que, estando aqui ainda a iniciar a sua fase de implementação, vamos estar atentos ao que vai acontecer e quais vão ser efetivamente os resultados.”

Mais do que medidas paliativas, a dirigente acredita que a boa implementação do sistema implica também um trabalho centrado na informação e no desenvolvimento da consciência ambiental nas pessoas.

Apesar de estar preparado para receber exclusivamente garrafas de plástico PET e latas de metal até 3 litros, a limitação do sistema pode ser encontrada, logo à partida, na rejeição destes produtos devido à falta do símbolo ‘Volta’ na embalagem. A estas embalagens somam-se ainda todos os outros formatos/materiais excluídos, como garrafões de água, ECAL, vidro ou bebidas com mais de 25% de origem láctea.

Tendo isto em conta, é importante “re-educar os consumidores, explicando a sua complementaridade com os atuais sistemas de recolha seletiva, nomeadamente os ecopontos e os sistemas porta-a-porta”, diz Alexandra Azevedo.

“Já em termos de consciência, há aqui vários aspectos a considerar, nomeadamente o próprio consumo deste tipo de bebidas e a escolha do tipo de embalagem. É sempre bom lembrar que o ideal é a reutilização de embalagens para que haja também uma redução da produção de resíduos”.

Ao fim de 10 anos, sistema entra em ação esta sexta-feira

Ao fim de quase 10 anos, de uma fase piloto relativamente bem-sucedida, e de um investimento de 150 milhões, o SDR ‘Volta’ vai finalmente arrancar em todo o país.

A partir desta sexta-feira, todas as embalagens que tenham o símbolo Volta, estejam inteiras, sem líquidos, com tampa e com o código de barras, são aceites em qualquer uma das 2500 máquinas espalhadas pelo país, mais de 8000 pontos de recolha manual e 48 quiosques para entregas de grandes quantidades.

A máquina esmaga a embalagem e retribui com o reembolso de 10 cêntimos, incentivo que se espera que leve o sistema a recolher milhares de embalagens de bebidas de uso único, com a entidade gestora a apontar para taxas de 90% até 2029.

As máquinas aceitam uma embalagem de cada vez e no final apresentam as opções de reembolso. 

Segundo a entidade gestora aderiu à Volta 90% da indústria de refrescantes, águas e cerveja e 80% dos retalhistas.

A União Europeia quer que em 2040 as garrafas de plástico de uso único incorporem no mínimo 65% de material reciclado.

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José Brás
José Brás

Jornalista na RUM

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Sara Pereira
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