PSP acusada de censura. Além do SCB, presidente da câmara também exige esclarecimentos

A tarja que a PSP proibiu no dérbi entre SCB e Vitória SC, na noite de sábado, continua no centro da polémica. O comunicado da PSP não convenceu e as críticas intensificam-se. Até o presidente do Município de Braga lançou um comunicado este domingo. Iniciativa Liberal chama governo a esclarecer o que aconteceu.

O dérbi minhoto de sábado, em que o SC Braga venceu em casa o Vitória SC por 3-2, continua a dar que falar, não pelo resultado ou pela exibição das equipas, mas pela atuação da PSP que está debaixo de fogo. Às duras críticas e queixas de censura da direção do SC de Braga, somam-se o presidente da câmara municipal que fez questão de sublinhar, em comunicado o seu desagrado com o que aconteceu.

Enquanto a PSP argumenta que o material coreográfico de maior dimensão encontrava-se na proximidade de artefactos pirotécnicos de grande projeção devidamente licenciados, e que por essa razão, o comandante do policiamento entendeu que face a riscos de reais de integridade física  dos adeptos presentes na bancada nascente determinou a inviabilização total, o clube reitera que tal argumentação não faz sentido.

Foi num comunicado lançado ainda durante a tarde de ontem que a PSP de Braga procurou justificar a decisão fortemente contestada, mas ao início da noite optou por apagar esse mesmo comunicado e lançar um novo. Entre os detalhes, refere a identificação de 42 indivíduos “que tentaram obstaculizar a ação policial mediante o acesso forçado ao interior do estádio”. Confirmou igualmente uma detenção por ameaças a agentes da autoridade. Os vídeos que circulam nas redes sociais dão conta de episódios paralelos, no exterior do estádio, que alegadamente denunciam uma conduta violenta da PSP junto dos adeptos do SC Braga no acesso ao Estádio Municipal.


SCB acusa a PSP de censura e vai reunir com FPF e Liga

Ora, o SCB fala em censura da PSP, critica a atuação e o próprio comunicado que se seguiu. António Salvador tem já agendadas reuniões com a Federação Portuguesa de Futebol e a Liga para os próximos dias e insiste que não deixará de recorrer a todas as instâncias no sentido de assegurar que este episódio não mais se repetirá.

O presidente do clube arsenalista, António Salvador disse no final do jogo, na noite de sábado que a equipa ganhou bem o jogo, mas que não podia estar feliz, considerando que os adeptos e a própria cidade foram “desrespeitados” e “censurados”, lembrando que durante dias, o clube, os profissionais, e muitos adeptos dedicaram horas a preparar a imagem que acabaria por ser retirada pela PSP.

“Hoje ganhámos e ganhámos bem, mas eu não estou feliz, não consigo estar feliz. Hoje o nosso clube, os nossos sócios e adeptos foram desrespeitados. A nossa cidade, Braga, foi desrespeitada. Fomos censurados na nossa vontade de afirmar o nosso amor e o nosso orgulho por sermos Braga. Durante dias, o nosso clube, os nossos profissionais e muitos adeptos voluntariamente dedicaram horas e horas para preparar uma imagem de apoio à equipa.

Uma mensagem positiva que a PSP censurou.

Eu vou até às últimas instâncias, vou onde for preciso e farei o que for preciso, mas não vou admitir que não respeitem o amor que temos em ser Braga e o amor que temos pela nossa cidade.

Ninguém! Ninguém vai calar o orgulho e o amor que temos por Braga”.

Igualmente em comunicado, o próprio Presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, exige “esclarecimento, reflexão e apuramento integral de todos os factos”, criticando o facto de a PSP ter impedido “uma expressão de apoio a um clube e a uma cidade”.

Reitera que a “a tarja que os adeptos do SCB pretendiam exibir “não tinha conteúdo ofensivo, nem promovia o ódio ou a violência”, salientando que “Braga é uma cidade com identidade, com orgulho e com um forte sentido de pertença” que não pode ser confundido com desordem, nem tratado como problema”. O autarca social democrata apela às instituições que “atuem com respeito, bom senso e proporcionalidade”.

Também o partido Iniciativa Liberal questionou o governo. Exige saber o que levou a PSP a tomar tal atitude.

Já a tarja, que foi retirada, tem sido amplamente divulgada, a começar pelo SC de Braga. Certo é que o tema não deverá ficar por aqui.

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Elsa Moura
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