Provedora do Estudante da UMinho preocupada com casos de ostracização dentro da sala de aula

A Provedora do Estudante da Universidade do Minho (UMinho), Rosa Vasconcelos está preocupada com o aumento do número de casos de ostracização dentro da sala de aula.
Numa grande entrevista à RUM revela que está a subir o número de denúncias de estudantes rejeitados em meio académico e há até quem ameace abandonar a frequência no ensino superior por questões desta natureza.
As denúncias de alunos que se sentem marginalizados na sala de aula também implicam outro tipo de constrangimentos que surgem, por exemplo, via redes sociais.
A acrescentar, um novo fenómeno: a dificuldade crescente dos estudantes mais velhos em meio académico.
“Dentro de uma turma alunos [mais velhos] que são quase ostracizados, ninguém quer ficar com eles, o que é um problema. [Há exemplos em que] a turma toda une-se contra uma pessoa”.
A Provedora do Estudante admite que são frequentes as denúncias de comportamentos imaturos de estudantes universitários fazendo até um paralelo com atitudes típicas de ensino secundário. Por isso, sugere “uma reflexão” que implique uma mudança de atitude por parte dos jovens universitários. “As pessoas têm que crescer”, avisa, assumindo ainda uma relação de comportamentos sociais que agora se verificam com o período da pandemia. “Sei que não pode justificar tudo, mas sei que é um ponto extremamente importante”, acrescenta.
Outro fator para a falta de espírito de grupo identificado pela provedora está relacionado com a mudança de rotina dos estudantes universitários em função das condições económicas. O aumento do preço do alojamento leva cada vez mais estudantes a movimentos diários entre a localidade de origem e a Universidade do Minho não restando margem para convívios fora do horário letivo.
“As pessoas vinham para a universidade e ficavam na universidade a trabalhar, a falar, e agora vêm para as aulas e vão-se embora. Não há mais nada. Sei que temos aqui o problema económico, que também é um fator extremamente importante (…) eles normalmente vão para casa dos pais, têm transportes, os horários exigem uma rotina muito diferente”, admite ainda a provedora que no ano letivo 2024/2025 foi procurada por quase mil estudantes.
Rosa Vasconcelos já concluiu o relatório relativo ao ano letivo transato. O mesmo deverá em breve ser apresentado ao Conselho Geral da Universidade do Minho, indicou a própria responsável à RUM.
disponível para continuar como Provedora do Estudante “se assim o entenderem”
A Provedora do Estudante da Universidade do Minho, Rosa Vasconcelos, está disponível para prosseguir com a missão que abraça desde 2019. A docente da academia minhota foi a terceira a desempenhar o papel de provedora do estudante na história da instituição.
Agora, a proposta de revisão do RJIES que está na iminência de ser aprovada implicará alterações no próprio regulamento da provedoria, cujo mandato passará de dois para quatro anos, o que significa que na prática, se a instituição assim o entender, poderá permitir que fique no cargo até 2027.
Questionada pela RUM disse estar disponível para continuar a desempenhar estas funções.
No cargo desde 2019, Rosa Vasconcelos assume que a cooperação interna tem permitido, com sucesso, um trabalho de apoio e auscultação à comunidade estudantil.
Além de provedora do Estudante da Universidade do Minho, Rosa Vasconcelos é presidente da Rede Portuguesa de Provedores do Estudante do Ensino Superior. Em setembro último passou também a presidir à rede ibero-americana, cujo mandato cessa apenas em 2027.
Rosa Vasconcelos faz um balanço positivo dos mandatos como provedora e na dinâmica que foi criando na rede nacional, notando que a visibilidade do cargo resulta numa maior procura da comunidade estudantil para a resolução de problemas.
