Propinas, alojamento e bolsas. Os motivos que levam meia centena de alunos da UMinho a Lisboa

Neste Dia Nacional do Estudante, cerca de meia centena de alunos da academia minhota desce à capital para se juntar à manifestação nacional. A revogação das propinas, a urgência de mais alojamento e o impasse no Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior dominam as reivindicações.
O jornalista José Silva Brás ouviu as reivindicações dos estudantes da UMinho na partida para Lisboa:

Cumprindo a tradição, o Dia Nacional do Estudante é assinalado esta terça-feira, 24 de março, com uma manifestação nacional em Lisboa. O protesto junta 56 estruturas do Movimento Associativo Estudantil, incluindo a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUMinho).

O autocarro da comitiva minhota, com cerca de 50 estudantes, partiu de manhã cedo do campus de Gualtar, em Braga, com paragem no campus de Azurém, em Guimarães, antes de seguir viagem para a capital.

Estudantes da UMinho no momento da partida rumo a Lisboa (Vídeo: José Silva Brás / RUM)

Antes do embarque, a RUM ouviu os estudantes que madrugaram para marcar presença neste dia de luta. O fim das propinas é um dos temas mais urgentes para Guilherme Nascimento, aluno da licenciatura em Estudos Orientais:

“Eu acho que a propina é algo relativamente pesado, especialmente para algumas pessoas que precisam de acesso ao ensino superior e não têm os direitos e não têm as capacidades. É um dia muito importante para nos manifestarmos.”

As críticas à falta de investimento estatal fazem-se sentir. Pedro Fernandes, estudante de Ciências da Computação, aponta as “constantes ameaças” ao setor e a “falta de investimento nas residências”. Uma visão partilhada por Iago Boldrim, da licenciatura em Relações Internacionais:

“As residências, principalmente as públicas, têm umas condições um pouco complicadas. E é claro que isso não é só questão da universidade, o problema da instituição em si, mas também do Estado e de todos aqueles responsáveis. Querendo ou não, investimento é necessário.”

A RUM acompanha este Dia Nacional do Estudante com reportagem em direto do jornalista José Silva Brás, que segue viagem no autocarro da AAUMinho e vai acompanhar de perto toda a jornada de luta em Lisboa.

Para Augusto Lima, também estudante de Relações Internacionais, as prioridades políticas estão trocadas:

“O Dia Nacional do Estudante é uma abertura perfeita para lutar pelos meus direitos. Hoje, milhões vão para a guerra e poucas verbas vão para a educação, então é lutar por uma melhoria geral na educação nacional.”

As dificuldades económicas agravadas pelo custo de vida são o principal obstáculo apontado por Xiao Ye, que também segue viagem com a comitiva:

“Especialmente no dia a dia de hoje, estudantes sentem cada vez mais as dificuldades económicas e a propina continua a ser uma barreira. Além de tudo o que vemos de resto, sob investimento no acesso às residências universitárias, o atraso nas bolsas… mete os estudantes ainda mais stressados.”


O braço de ferro do RJIES

Além da ação social e do alojamento, há um dossiê político a marcar este dia: a proposta de revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), que continua por votar na Assembleia da República.

A falta de decisão afeta diretamente a academia minhota. A proposta de revisão dos estatutos da UMinho, aprovada em Conselho Geral no ano passado, acabou chumbada e continua a aguardar a aprovação da nova lei para ser submetida à tutela.

Neste contexto, os representantes dos estudantes avisam que não há margem para recuar e reclamam por um ensino superior mais aberto, democrático e que valorize a sua voz. Sobre o impasse no Parlamento, Luís Guedes, presidente da AAUMinho, deixa um alerta claro: “pior do que uma má decisão é uma indecisão”.

O representante máximo dos estudantes da academia minhota ressalva ainda que o futuro do país depende, em parte, de quem hoje se está a formar nas mais variadas áreas.

Luís Guedes sobre o atraso na revisão do RJIES

A grande concentração de estudantes arranca às 14h30 no Rossio, seguindo em marcha até à escadaria da Assembleia da República. Para esta hora, os líderes associativos, incluindo Luís Guedes, têm um encontro marcado com o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, e com a ministra da Juventude, Margarida Balseiro Lopes.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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Sara Pereira
NO AR Sara Pereira A seguir: Carolina Damas às 17:00
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