Projeto de Requalificação do Bom Jesus já arrancou

Já arrancaram as obras de requalificação do Santuário do Bom Jesus do Monte, inseridas no projeto ‘Bom Jesus: Requalificar III’. A intervenção, a cargo dos arquitetos Carvalho Araújo e Francisco Guedes de Carvalho, adiada pelo menos desde 2022 devido à falta de investimento, está estimada em cerca de dois milhões e 390 mil euros.
A apresentação do projeto e a visita às obras decorreram esta quarta-feira, no Hotel do Parque, durante uma cerimónia que contou com a presença do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga, e António Cunha, presidente cessante da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), entidades parceiras desta empreitada.
No conjunto das obras já adjudicadas estão incluídas a requalificação da Casa dos Correios, que abrigará o Centro Interpretativo do Bom Jesus, a reabilitação do Apeadeiro Inferior do Elevador do Bom Jesus e ainda a intervenção paisagística e no muro de sustentação que delimita o Jardim de Camilo, em homenagem ao escritor Camilo Castelo Branco.
Já concluídas estão a instalação de sinalética, a reedição do ‘Guia da Fauna e da Flora do Bom Jesus do Monte’ e a criação da ‘Escola Património’.
No total, o custo das intervenções ultrapassa os dois milhões e 390 mil euros, montante que será assumido, em parte pela Confraria do Bom Jesus do Monte (cerca de 600 mil euros) e pelo programa Norte 2030, que cobrirá o restante valor de mais de um milhão e 790 mil euros.
Para o cónego Mário Martins, presidente da Confraria, esta é uma obra importante não só para a manutenção da herança material, classificada como Património Mundial da UNESCO, mas também para “melhor acolher e proporcionar às pessoas uma experiência de visita interessante”.
O responsável espera que, quando terminada a empreitada, os visitantes encontrem “um espaço de encontro e acolhimento onde possam encontrar a paz” quer nas estruturas imateriais quer nas materiais “que se vão construindo”, consoante as oportunidades.
Na opinião de João Rodrigues, este projeto é um caso “inegável” de que a proteção do património precisa de “investimento e articulação entre entidades” e a sua recuperação deve ser assente num “olhar para o território”.
“Património não é um tema apenas cultural. É também um tema de desenvolvimento. Património bem cuidado e bem gerido é qualidade de vida, é reputação, é turismo com valor, é economia local, é atração de talento e de investimento”
Também Alberto Santos, secretário do Estado da Cultura, sublinha o poder que o espaço tem de valorizar a cidade.
Nas palavras do governante, falar no Bom Jesus, não é falar “num património qualquer”, até porque o espaço “está muito inculcado na memória coletiva, no subconsciente, no substrato das gentes do Norte e do país” para não falar dos cerca de 2 milhões de visitantes “que, por ano, passam pelo local”.
“Não é um número propriamente de desconsiderar, é um número muito significativo e que deve ser valorizado. Estamos a falar de algo que é único, singular e irrepetível porque só assim é que foi listado como Património Mundial da UNESCO”
Sobre o projeto, António Cunha, sublinhou que dos mais de 5000 projetos que o Norte 2030 está a apoiar, “este é um projeto especial, e notável, num sítio notável”.
Confraria desafia entidades a criar centro inter-religioso
Durante a apresentação do projeto, o cónego Mário Martins desafiou as entidades e D.José Cordeiro, Arcebispo Metropolita de Braga, a criar um “espaço físico, concreto e permanente”, um ‘Centro da Cultura e Paz’, que promova naquele espaço uma “cultura de paz, de entendimento, de serviço, de participação e de responsabilidade partilhada”.
“Nós estamos, neste momento, num processo de reflexão. Hoje foi apenas o lançamento de uma ideia, como disse, de um projeto que, de alguma forma, já se vai concretizando, mas que queremos que venha a ser concretizado de uma forma ainda mais estruturada”.
Para isso, o presidente da Confraria acredita ser “essencial”, também, a criação de um programa cultural anual articulado entre o Município de Braga e outros agentes culturais e institucionais.
Um programa que “dinamize o Bom Jesus ao longo do ano, em várias dimensões da cultura”, através de conferências, música, exposições, iniciativas artísticas e culturais.
De acordo com D.José Cordeiro, este lugar “inter-religioso de construção na paz” é um sonho a ser acalentado, mas que espera possível ser realizado até porque é “um legado que vem através da irmã Lúcia e de benfeitores”.
Ainda que esteja na fase de projeto, o arcebispo sugere que o espaço possa tomar forma na entrada do acolhimento da hospitalidade do Santuário.
Durante a sua intervenção o presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, respondeu de forma inequívoca ao repto, garantindo um “espírito de colaboração com pragmatismo e com foco no resultado” e a “inteira disponibilidade para cooperar institucionalmente”.
Já em declarações à imprensa, o autarca esclareceu que o projeto já tinha sido abordado entre as duas entidades, indo ao encontro de uma narrativa que o Município tem desenvolvido, em articulação com a Arquidiocese.
“Uma cidade que cresce tanto como a cidade de Braga, tem que ter uma preocupação particular entre outras coisas com a integração destas diferentes culturas”, rematou.






