Progressão de carreira dos docentes universitários desbloqueada há um ano. Maioria das carreiras continua estagnada

A Universidade do Minho ainda não apresentou proposta de reposição da carreira dos seus docentes.

Há mais de um ano que o Governo desbloqueou a norma, prevista na lei desde 2009, que permite aos docentes do Ensino Superior, tanto em universidades como em institutos politécnicos, acederem a aumentos salariais através de créditos acumulados por bom desempenho. Contudo, até ao momento, apenas duas universidades apresentaram propostas concretas de atualização.

A medida, que esteve interrompida pelo período da troika e pela crise subsequente, deixou um rasto de avaliações concluídas e créditos retidos. Numa entrevista à RUM, Paulo Teixeira, da direção do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup), alerta para o “compromisso” de converter essas análises em progressões efetivas, criticando a falta de apoio financeiro do Executivo às instituições.

“Todo o setor público progrediu à custa do Orçamento do Estado, como é natural. As instituições de Ensino Superior são as únicas entidades do Estado em que foi pedido para fazerem a progressão dos seus docentes à custa do orçamento das suas instituições. Isso parece-nos inaceitável.”

Paulo Teixeira, da direção do Sindicato Nacional do Ensino Superior
Para o sindicalista, os orçamentos das instituições de Ensino Superior devem refletir a necessidade de atualização das carreiras

Embora o regresso à normalidade esteja a ser mais célere nos politécnicos, no panorama universitário apenas o Porto e o Algarve avançaram com propostas. Para o SNESup, os documentos apresentados são insuficientes por limitarem o direito dos docentes.

“As propostas do Porto e Algarve, para já, levariam aos professores a progredir, no máximo, um escalão. Estarão a subtrair-lhes duas progressões. Estamos a falar de centenas de euros no final do mês no ordenado.”

O representante sindical sobre as duas instituições que avançaram com propostas

Esta disparidade, sublinha o sindicalista, terá impacto não apenas no imediato, mas “até ao último dia da reforma dos docentes”. Paulo Teixeira admite um faseamento das atualizações, desde que tal não implique a abdicação dos créditos já adquiridos.

O dirigente sindical refere que as avaliações são “obrigações para as instituições”

Uma diferença que não se sente apenas no dia de hoje, mas também “até ao último dia da reforma dos docentes”, afirma o sindicalista


O caso minhoto

No contexto da Universidade do Minho, “espera-se uma resposta em breve”.

No que toca à academia minhota, onde as atualizações estão pendentes desde 2010, o sindicato espera uma “resposta em breve”. Paulo Teixeira revelou à RUM já ter reunido com o novo reitor, Pedro Arezes, poucas semanas após a sua tomada de posse.

Na altura, o reitor terá assumido o compromisso de estudar o dossiê com os serviços da universidade. O SNESup demonstra-se otimista quanto a uma proposta que vá ao encontro das expectativas dos professores da UMinho.

“A ideia particular que temos da Universidade do Minho é que o impacto não será tão grande como isso em termos financeiros.”

Paulo Teixeira, sobre a situação dos professores na academia minhota

O representante da direção do SNESup acredita que a UMinho irá avançar em breve com uma proposta de reposição que se enquadre com as expectativas da organização.

Paulo Teixeira demonstrou-se otimista depois da conversa com a nova equipa reitoral

Reitoria aguarda concertação no CRUP

Contactado pela RUM, o reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes, confirmou que o tema tem sido discutido no seio do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP). Por se tratar de um assunto “complexo” e que envolve diversas variáveis jurídicas e financeiras, a reitoria remete mais esclarecimentos para quando a análise estiver concluída.

*texto editado por Ariana Azevedo

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David Braga
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