Programa da CMB para pontas letivas vai custar entre 130 e 250 euros aos pais

Movimento Pais em Luta fala em "valor exorbitante", mas vereadora da Educação alega que “o valor de uma possível resposta nunca foi considerado problema por parte deste Movimento”.

O plano da Câmara Municipal de Braga para as pontas letivas, destinado a crianças com necessidades específicas, prevê um valor entre os 130 e os 250 euros, a ser suportado pelos encarregados de educação.

O valor consta nos pressupostos de funcionamento do serviço enviado aos pais, pela Câmara Municipal, esta terça-feira, onde a autarquia admite estar “a fazer tudo para que este valor possa ser o mais reduzido possível, reforçando-se que a determinação final terá em conta os rendimentos do agregado familiar”.

De acordo com o documento, a que a RUM teve acesso, os espaços que vão acolher as atividades ainda não estão definidos, bem como o plano de transportes específicos, uma vez que, justifica a autarquia, a definição de turmas e horários dos alunos ainda não está concluída, não sendo, por isso, possível definir o número de salas disponíveis para acolhimento desta resposta nos estabelecimentos de ensino. Ainda assim, a Câmara adianta que as respostas deverão ser definidas até ao final de agosto.

A proposta refere ainda que deverão ser os encarregados de educação a assegurar o transporte casa – estabelecimento (seja a escola da componente letiva ou das pontas) ao início da manhã e ao final do dia, cabendo ao município a responsabilidade de “transportar as crianças no intervalo de almoço entre o estabelecimento da componente letiva (após o almoço) ou entre a ponta para o estabelecimento da componente letiva (para almoço e frequência de aulas)”.

“O procedimento de contratação a adotar será um procedimento aberto – concurso público – que preveja a qualificação dos candidatos por forma a garantir a qualidade instalada das equipas, bem como da atividade desenvolvida nesta área. As especificações técnicas a incluir nas peças do procedimento estão concluídas, faltando apenas proceder à revisão final e lançar ao mercado”, informou ainda a autarquia.

Na comunicação enviada aos pais, o município diz responsabilizar-se pelos “encargos com a adaptação, manutenção e apetrechamento das instalações bem como com os transportes especializados”, sendo que “os custos com os recursos humanos associados à resposta, serão suportados na razão de dois terços pelo município, e o restante pelos beneficiários da resposta (que poderá variar de acordo com os rendimentos do agregado)”.

O serviço funcionará de manhã, entre as 08h30 e as 12h00, e de tarde, entre as 14h00 e as 17h30.

Movimento Pais em Luta fala de “valor absolutamente exorbitante”


Rosa Oliveira, do Movimento Pais em Luta, fala de um “valor absolutamente exorbitante”.

“Nenhuma IPSS cobre estes valores. Estávamos habituados a pagar um valor no programa de férias de verão que é consideravelmente inferior, quem está no primeiro escalão paga 15 euros por semana, no segundo e terceiro paga 25 e nos seguintes paga 40.

As mensalidades que os pais pagam em colégios privados rondam estes valores que agora nos foram apresentados, mas estamos a falar de uma mensalidade que cobre o dia inteiro, não é uma mensalidade que cobre três tardes ou três manhãs”, criticou a representante.

Para Rosa Oliveira, “muitos pais vão desistir deste serviço, porque não têm capacidade financeira”. “Quem ganha o ordenado mínimo neste momento paga no programa de férias 15 euros por semana, que é à volta de 60 euros por mês. Os 130 euros propostos é mais do dobro”, atirou.

O movimento cívico fala ainda de “um ultimato” quanto à resposta à proposta do muncípio, uma vez que a resposta deve ser dada até ao dia 25 de agosto. “Caso a gente não concorde, fica sem acesso ao serviço. Queremos o serviço, mas que não concordamos, principalmente com o valor”, afirmou.

A proposta relativamente ao transporte foi também criticada pelo movimento cívico. Segundo Rosa Oliveira, até ao momento, o município assegurava duas viagens diárias a crianças com necessidades específicas. De acordo com a proposta agora apresentada, apenas uma viagem, a da hora de almoço, entre a escola onde têm atividade letiva e a escola das pontas, será da responsabilidade da Câmara. “Sugerimos que quem usufruir do serviço de pontas de manhã levasse as crianças à escola onde irá ser prestado o serviço e as crianças que têm o período da tarde seriam recolhidas pelos pais, ao final do dia”, apontou.

“Valor de uma possível resposta nunca foi considerado problema por parte deste Movimento”


Contactada pela RUM, a vereadora da Educação, Carla Sepúlveda, diz que “o Município de Braga se propôs a criar uma resposta alternativa e que respondesse às necessidades manifestadas pelas famílias, mas nunca foi dito que esta resposta seria gratuita”. “O valor definido é inferior e/ou equiparado ao valor praticado pela rede de respostas existentes no mercado na esfera das necessidades específicas”. “O Movimento Pais em Luta alegou sempre que a problemática era a falta de uma resposta estrutural. O valor de uma possível resposta nunca foi considerado problema por parte deste Movimento”, atirou.

A vereadora lembra ainda que “o Município de Braga assume os encargos com a adaptação, manutenção e apetrechamento das instalações, bem como com os transportes especializados”. “Os custos com os recursos humanos associados à resposta, serão suportados na razão de dois terços pelo município, e o restante pelos beneficiários da resposta (que poderá variar de acordo com os rendimentos do agregado)”, finalizou.

Recorde-se que, a 1 de agosto, na apresentação do plano para as pontas letivas foi anunciado um investimento de 75 mil euros, o que corresponde a 1.500 euros por aluno. Sendo aplicado por uma entidade externa, o presidente, Ricardo Rio, esclarece que haverá “uma comparticipação por parte das famílias”, que “suporta uma parte, manifestamente mais diminuta, do custo do programa”.

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Liliana Oliveira
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