Professores de 24 países na UMinho para discutir a digitalização da sala de aula

Mais de 100 professores de todo o mundo estiveram reunidos, esta terça e quarta-feira, na Universidade do Minho para discutir como os avanços digitais se devem enquadrar nas salas de aula de Ciências e Matemática.
A conferência é promovida pela Associação para a Formação de Professores na Europa (ATEE), uma associação sem fins lucrativos que visa apoiar o desenvolvimento de docentes a vários níveis.
Laurinda Leite, organizadora da conferência, recusa-se a ver a Inteligência Artificial como uma “inimiga”, mas tem consciência dos desafios que levanta. À RUM, sublinha que a resposta passa por fomentar o pensamento crítico nos alunos.
“Eu costumo dizer que os computadores fazem muitas coisas, mas fazem aquilo que os humanos mandam fazer”, afirma a docente do Instituto de Educação, que espera que sejam “os humanos a mandar nos computadores e nas ferramentas de IA”, e não o inverso.
“Acima de tudo, não se desenvolva uma cultura de ‘pergunta-se ao ChatGPT ou a uma outra ferramenta e ele dá a resposta’, mas se desenvolva uma cultura de pensamento, de reflexão, de análise crítica, de criatividade.
Laurinda Leite, organizadora da conferência

Durante dois dias as atividades procuraram promover a discussão sobre como as ferramentas digitais podem potenciar a aprendizagem.
O vice-presidente da ATEE, Ronny Smeth, sublinha a importância desta conferência para alertar os vários governos da Europa sobre as políticas públicas a adotar na Educação.
Em declarações à RUM, o professor belga sublinha que “estabelecer contactos e redes de trabalho durante conferências é muito importante”.
A tecnologia avança a grande velocidade, tornando-se, por isso, difícil antecipar os contornos de uma sala de aula no futuro.
Ronny Smeth recorda filmes de ficção científica dos anos 70 e 80, nos quais encontrava imagens com as quais nunca imaginaria deparar-se. Hoje, a realidade desmentiu a sua perceção e por esse motivo prefere não arriscar com uma previsão sobre os contornos do Ensino dentro de 50 anos.
“Não consigo imaginar que venham a existir salas de aula como as que conhecemos agora, será algo completamente diferente. Ainda assim, 50 anos é muito tempo, não se pode prever. A tecnologia digital acelera, hoje, a um ritmo acelerado, e acredito que será ainda mais exponencial no futuro.”
Ronny Smeth, vice-presidente da ATEE
O reitor da Universidade do Minho também marcou presença na sessão de abertura, esta terça-feira.
Pedro Arezes assinala a importância de receber na academia minhota uma conferência “desta relevância”, ainda mais num período no qual a “IA levanta tantos desafios”.
“É de facto um privilégio para a Universidade do Minho e saber do impacto que isto pode ter depois nas nossas salas de aula um pouco por todo o mundo.”
Pedro Arezes, reitor da UMinho

Trata-se da quarta vez que a Universidade do Minho recebe iniciativas promovidas pela Associação para a Formação de Professores na Europa.
Em 2014, organizou a 39.ª Conferência Anual da ATEE. Este ano, volta a acolher uma Conferência de Inverno na área de Ciências e Matemática, tal como em 2019. Há três anos, recebeu uma Conferência de Inverno na área de Desenvolvimento Profissional Docente.
