Portugal conta com 312 unidades de investigação, mas enfrenta “assimetria territorial”

O sistema de ciência e inovação em Portugal conta com 312 unidades que integram mais de 21 mil investigadores doutorados. Os dados foram apresentados esta terça-feira por Eugénio Campos Ferreira, coordenador do grupo criado em janeiro para analisar e mapear o ecossistema de I&D (Investigação e Desenvolvimento) a pedido do Governo.
O estudo faz parte da apresentação realizada esta terça-feira da metodologia para a definição das prioridades nacionais de Investigação e Inovação no âmbito da criação da Agência para a Investigação e Inovação (AI²).
Eugénio Campos Ferreira, antigo vice-reitor da Universidade do Minho (UMinho), apontou que o relatório revela uma base científica sólida, mas também desafios estruturais, como a forte “dependência de fundos públicos” e uma “grande assimetria no território”. Destacou, ainda, a massa crítica existente, alertando para a excessiva fragmentação dos instrumentos de financiamento.
“(O estudo) é uma base empírica para critérios explícitos a usar pelo grupo de trabalho que vai fazer o trabalho de identificação estratégica”, referiu.
Detalhou que, entre as 312 unidades de investigação, 92,3% estão distribuídas pelo Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo, concentrando 93,4% dos investigadores integrados. “Cerca de 78% dos investigadores estão concentrados em unidades de grande dimensão (que contam com mais de 100 investigadores)”, detalhou.
O ecossistema possui ainda 31 centros de tecnologia e inovação, 40 laboratórios colaborativos, 15 Digital Innovation Hubs, 46 Test Beds, “um número interessante de projetos colaborativos entre academia e empresas”, que envolveram segundo o responsável mais de 5.000 empresas em atividades de I&D no ano de 2024.

Para analisar a “situação, o retrato na atualidade de forma quantitativa” do ecossistema nacional de investigação e inovação, o estudo utilizou múltiplas fontes de base de dados, como a Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI), Startup Portugal, Autoridade Financeira, Instituto Nacional de Estatística (INE), entre outros.

Segundo Eugénio Campos Ferreira, o mapeamento pretende auxiliar no diagnóstico e separe o ponto da decisão estratégica da fase seguinte. Acrescentou que o estudo auxilia na definição de “atribuição e identificação de fundos e identificação de áreas prioritárias”.
