Reitor Pedro Arezes descarta incertezas quanto à nova Agência AI²

Pedro Arezes, reitor da Universidade do Minho (UMinho), acredita que não há motivo para incertezas quanto à predominância da ciência aplicada em detrimento da ciência fundamental relativamente à criação da nova Agência para a Investigação e Inovação (AI²). O mesmo já não se pode dizer da proposta de reforma do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), à qual o dirigente aponta algumas vantagens, mas questiona a falta de apoio orçamental para garantir as novas funções.
Esta terça-feira, foram dados os primeiros passos na reforma da investigação e inovação em Portugal com a criação da AI². Está, ainda, prevista a discussão, na especialidade, da reforma do RJIES.
Para o responsável máximo da academia minhota, as soluções que podem surgir de ambas as situações são relevantes. Pedro Arezes está otimista com as renovações anunciadas pelo Governo mas prefere manter uma posição mais analítica quanto a estas mudanças.
À margem da cerimónia dos 52 anos da Escola de Ciências da Universidade do Minho, em que as intervenções também sublinharam a incerteza que ronda a criação da AI², o reitor admitiu não haver motivo para tal, uma vez que a sua criação assenta numa “metodologia muito concreta e robusta”, aplicada noutros contextos.

“Julgo que esse será um processo relativamente suave e que se tudo correr bem, ao que parece, em outubro deste ano, teremos, de facto, essas decisões finais tomadas”.
Quanto à eventualidade da nova agência poder, eventualmente, beneficiar mais uma área em detrimento de outra, o reitor acredita que isso será “difícil” tendo em conta que o objetivo desta estrutura passa por “integrar exatamente as duas e não deixar perceber que haja um ou outro lado”.
Este será o caso mais provável, “até pela natureza do orçamento em si”, que coloca a ciência num papel “muito relevante nesta nova agência”.
“Estou certo que não haverá desequilíbrios e estou convencido que são pessoas que estão a trabalhar nisto com muita experiência e sabem, obviamente, que não podem, depois de um longo processo histórico de atuação nestas duas áreas, seria um erro dar predominância clara a uma das áreas em detrimento da outra”
Quanto à proposta de reforma do RJIES, a certeza já não é tanta, pelo menos, no apoio à implementação de certas alterações que possam advir, por exemplo, da maior autonomia que esta reforma quer introduzir.
“Muita desta suposta autonomia, em alguns casos, traz dificuldade da crescida porque implica alterações orçamentais significativas que, do ponto de vista das instituições de ensino superior não temos condições de as realizar”, aponta.
De acordo com o dirigente, esta autonomia “tem que vir acrescida de uma capacidade de atuação em termos financeiros”, ou seja, de um reforço orçamental.
Apesar disso, Pedro Arezes acredita que esta revisão deveria “ter sido feita mais cedo” tendo em conta que há algumas orgânicas “que não funcionam muito bem” e estruturas “menos oleadas”.
“A minha expectativa é que o RJIES seja um documento que traz, ainda assim, algumas novidades, mas que, no essencial, ajude a que as universidades funcionem melhor”, remata.
