Ensino Superior. Níveis mínimos de inglês e numeracia levantam dúvidas entre reitores

Pedro Arezes, reitor da UMinho, revelou à margem da cerimónia honoris causa de Duncan Handale, que as reações do CRUP à novidade foram sobretudo de preocupação.

O decreto-lei que propõe aos estudantes níveis mínimos de numeracia e inglês para entrar no ensino superior, apresentado pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação aos representantes das universidades e politécnicos, suscitou algumas dúvidas ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP).

De acordo com o novo Regime Jurídico dos Graus e Diplomas, divulgado pelo Público esta sexta-feira, os estudantes que concorrerem ao ensino superior devem apresentar níveis “adequados de literacia e numeracia para operar numa sociedade baseada no conhecimento”, bem como “um nível de proficiência em língua inglesa”, que lhes permita aceder à literatura académica internacional.

À margem da cerimónia honoris causa de Duncan Handale, esta sexta-feira, Pedro Arezes revelou que as reações do CRUP à novidade foram sobretudo de preocupação “não apenas no requisito do inglês e da numeracia, mas, noutras dimensões”.

O dirigente não se alongou, mas admitiu que a questão ainda não foi discutida internamente. Apesar disso, o reitor acredita que “a Universidade do Minho acompanha a maior parte dessas preocupações”.

Pedro Arezes admite que documento suscitou dúvidas

“São alterações significativas, e não é por ser significativas, porque podem sê-lo e serem perfeitamente claras e perceber-se o alcance, mas em alguns casos, temos dúvida, e como é uma proposta que surgiu mais recentemente, essas dúvidas são normais”.

O projeto, com mais de 60 páginas, segue agora para o CRUP, o Conselho Nacional de Educação (CNE), o Conselho dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), bem como para a Associação Portuguesa de Ensino Superior Privado (Apesp), analisarem.

Por isso, para o reitor, estas dúvidas são normais e podem ser resolvidas “com algum diálogo” e ser “reconhecidas como de muito valor”, quer pelo Ministério, quer pelas instituições de ensino superior nacionais.

Isto não significa, no entanto, que a questão não possa suscitar algumas problemas no futuro.

Questionado sobre se esta medida pode afetar o ingresso dos alunos no ensino superior, diminuindo ainda mais o número de novos alunos nas universidades portuguesas, o reitor admite que pode se dar o caso desta medida provocar uma certa “complexidade administrativa”, mas a opção também “não pode passar pelo facilitismo”.

Reitor da UMinho acredita que medida poderá travar ingresso no ensino superior

“Há sempre uma preocupação latente de qualquer medida que seja um obstáculo à entrada no ensino superior. Isto não quer dizer que devemos optar por caminhos de facilitismo, não é isso que está em causa mas de algum mecanismo que, pela complexidade administrativa do próprio mecanismo, possa pôr em causa, de facto, esse percurso normal dos alunos”.

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José Brás
José Brás

Jornalista na RUM

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