PCP questiona Governo sobre “impasse” e falta de verbas para o Novo Hospital de Barcelos

Em declarações à RUM, o representante da Organização Regional de Braga do PCP, Vítor Bertolucci, denuncia a inexistência de financiamento alocado no Orçamento do Estado para 2026 que sustentem a obra.
Palavras de Vítor Bertolucci.

O Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português (PCP) entregou um requerimento na Assembleia da República a exigir esclarecimentos urgentes à Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sobre a construção do Novo Hospital de Barcelos. Os comunistas questionam os fundamentos técnicos, o modelo de financiamento e a calendarização de uma obra que, apesar das promessas, continua sem avanços concretos no terreno.

Em declarações à RUM, o representante da Organização Regional de Braga do PCP, Vítor Bertolucci, denuncia a inexistência de financiamento alocado no Orçamento do Estado para 2026 que sustentem a obra. O dirigente alerta para um “impasse” persistente, sublinhando que, após as notícias de que o projeto avançaria, sendo o “mote de campanha do PSD e da AD” no ano passado, não há nenhuma definição neste sentido.

Embora a tutela tenha acenado com um investimento a rondar os 200 milhões de euros, o PCP sublinha que não existem documentos oficiais que comprovem essa dotação.

Atualmente, o centro hospitalar funciona num equipamento alugado, uma situação que o Governo garantiu querer resolver, em visita ao concelho em janeiro de 2026. Contudo, o modelo de construção e gestão através de uma Parceria Público-Privada (PPP) merece o forte repúdio dos comunistas. Para o PCP, a opção pela PPP responde a uma “linha ideológica” que privilegia o lucro privado em detrimento do serviço público.

Vítor Bertolucci aponta o exemplo do Hospital de Braga para ilustrar os riscos deste modelo, referindo que a gestão privada cria “entropias” que limitam a autonomia das direções clínicas, como acontece na impossibilidade de decidir sobre a alteração de blocos operatórios sem o aval do parceiro externo.

O partido defende que os hospitais devem ser geridos “diretamente pelo Estado”, garantindo que os recursos financeiros sejam integralmente investidos na saúde das pessoas.

Perante a “discrepância dos valores noticiados” e as incertezas no Plano Plurianual de Investimentos do Ministério da Saúde 2030, o PCP exige saber qual o valor real estimado para a entrada em funcionamento do novo equipamento e as datas exatas para o início e conclusão das obras.

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Marcelo Hermsdorf
Marcelo Hermsdorf

Jornalista na RUM

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