Parlamento dos Jovens. Escolas de Braga elegem deputados à Sessão Nacional

A sessão distrital do Parlamento dos Jovens reuniu, esta terça-feira, para escolher as cinco escolas que vão representar Braga na Assembleia da República, bem como o projeto-base do distrito. A Literacia Financeira foi o tema central de um debate que procurou demonstrar aos jovens que o tópico “não se limita a saber gerir a mesada”.
O auditório do Centro de Juventude de Braga juntou 123 representantes de 41 escolas do distrito de Braga para debater e apresentar medidas de promoção da Literacia Financeira na sala de aula.
Das propostas apresentadas, prevaleceu a do Agrupamento de Escolas de Caldas de Vizela. O documento incluía três medidas, que foram discutidas na especialidade após a votação, com o objetivo de simular o trabalho realizado no Parlamento.
A discussão levou à queda de uma das medidas e ao acréscimo de duas para, assim, cimentar o projeto-base. Este será defendido pelos representantes do distrito na Sessão Nacional, no final de maio.
São, já, conhecidos as cinco escolas que elegem deputados que vão representar o círculo de Braga:
- Colégio João Paulo II (Braga);
- Escola Secundária de Barcelinhos (Barcelos);
- Agrupamento de Escolas de Caldas de Vizela (Vizela);
- Agrupamento de Escolas de Fafe (Fafe);
- Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto (Cabeceiras de Basto).
Cada uma das cinco escolas enviará dois deputados efetivos, acompanhados por um professor, além de um jornalista, que deverá desenvolver uma reportagem sobre a Sessão Nacional. A melhor peça será distinguida com um prémio.
O porta-voz do círculo de Braga, com responsabilidades de coordenação dos trabalhos, saiu do Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto.

Promover o debate e a troca de ideias entre alunos
A iniciativa é promovida pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Vítor Dias, diretor regional do Norte da instituição, realça que este é um tema que deve integrar uma vertente complementar ao trabalho escolar. Destaca, ainda, um conjunto de aspetos ligados à Literacia Financeira que, quando ensinados aos jovens, impulsionam a sua emancipação.
“As questões da literacia financeira estão cada vez mais no dia-a-dia dos jovens. Eles aprenderem a gerir um orçamento, a poderem trabalhar no sentido da sua autonomia, da sua emancipação, as questões da poupança, é muito importante.”
Vítor Dias, diretor regional do Norte do IPDJ
A sessão contou com a presença do deputado da Assembleia da República, Leandro Luís, que relatou aos alunos as rotinas de trabalho de quem cumpre funções parlamentares.
Antes do arranque dos trabalhos, o antigo líder da JSD de Braga destacou que estas iniciativas possuem uma elevada relevância para promover uma participação cívica ativa no futuro. O interesse dos alunos que participaram na sessão foi motivo de celebração para o deputado.
“Acho que podemos garantir que os jovens estão interessados e que estão aqui participativos para o futuro, para conseguirmos uma sociedade assegurada nas novas gerações.”
Leandro Luís, membro da bancada parlamentar do PSD
A vereadora da Educação e Juventude, Hortense Santos, foi também convidada na cerimónia de abertura da sessão desta terça-feira.
Em declarações aos jornalistas, caracterizou o Parlamento dos Jovens como um projeto muito importante para a formação dos alunos, principalmente por promover o debate e a troca de ideias. Tudo isto, defende a vereadora, “prepara os participantes para serem cidadãos interessados, participativos e ativos, preocupados com o bem comum”.

“Temos Uma palavra a dizer sobre a nossa vida”
Gonçalo Santos, da Escola Secundária D. Sancho I (Vila Nova de Famalicão), é um dos 123 deputados que integra o grupo distrital do Parlamento dos Jovens. Celebra a oportunidade de aprender mais sobre as dinâmicas da Assembleia da República e, acima de tudo, de “estar envolvido numa iniciativa que permite aos jovens resolver problemas atuais da sociedade.”
Lara Santos, aluna da Escola Secundária de Caldas de Vizela, integra a assembleia distrital do Parlamento dos Jovens.
À RUM, valoriza a iniciativa pela oportunidade que dá aos estudantes de entrar na discussão sobre o futuro do país.
“Nós, jovens, temos efetivamente poucas oportunidades de falar sobre o que achamos melhor para o país e para nós mesmos.”
Lara Santos, aluna da Escola Secundária de Caldas de Vizela
Jovens (des)apegados da política
De Braga sai, ainda, uma proposta para o tema da edição de 2027 do Parlamento dos Jovens: Literacia Política.
No debate, a intervenção do deputado Leandro Luís fez-se acompanhar por um momento no qual os alunos colocaram questões sobre a dinâmica política portuguesa. Foram levantadas dúvidas que variaram desde um teor mais aprofundado até aspetos mais básicos, como o número de deputados que compõem o Parlamento ou como se elege o presidente da Assembleia da República.
Questionado pela RUM sobre se o conteúdo de algumas questões poderia indicar uma falta de preparação dos alunos, Leandro Luís preferiu não estabelecer uma relação de causalidade.
“Não queria entrar por aí. Mas a mensagem que lhes deixei é mesmo esta: melhorar o nosso contexto, mesmo sobre o tema discutido hoje, para, assim, termos jovens mais bem preparados e jovens com capacidade crítica.”
A tese de Vítor Dias volta-se também para a defesa de um cada vez maior envolvimento no mundo político. Segundo o diretor regional do IPDJ, “os dados dizem que os jovens participam mais nas eleições do que no passado”.
Estes dados, contudo, não são lineares. Segundo um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre a participação eleitoral nas Presidenciais em Portugal, “os eleitores mais jovens apresentam níveis substancialmente mais baixos de participação”, quando comparados às restantes faixas etárias.
Uma tendência que, de resto, se manifesta em todo o mundo. Num outro estudo publicado pelos mesmos autores, José Santana Pereira e João Cancela afirmam que “Portugal tende a apresentar resultados em linha com os identificados pela literatura internacional, com os jovens a votarem menos do que os mais velhos”.
Indicam, ainda, que a justificação passa, tendencialmente, pelo fator “experiência de vida” e pela menor disposição dos jovens para participar em atos eleitorais.
Os autores apontam para o papel das escolas na sensibilização dos jovens, logo a partir do 1.º ciclo, como recomendação para contornar o desinteresse dos mais novos.
Para Lara Santos, preparar os trabalhos na sessão distrital é uma necessidade. À RUM, explica que se preocupa em ouvir as necessidades dos colegas, além de praticar a vertente oratória.
“Fazemos uma pesquisa, efetivamente, longa, para sabermos como está o mercado. Entrevistamos, também, jovens para saber como se sentem e para ficarmos a saber o que será justo para diferentes grupos de pessoas.”
A Sessão Nacional do Parlamento dos Jovens para o Ensino Secundário decorre nos dias 25 e 26 de maio, na Assembleia da República.
*texto editado por Ariana Azevedo
