Pacote laboral chumba no Parlamento. Governo sofre revés com voto contra do Chega

A proposta de alteração à Lei Laboral desenhada pelo Executivo de Luís Montenegro foi esta sexta-feira rejeitada na Assembleia da República. Apesar de uma aparente aproximação nas negociações prévias, o Chega juntou-se a toda a bancada de esquerda no voto contra, deixando PSD/CDS-PP e Iniciativa Liberal isolados e deitando por terra a reforma social-democrata.
O recuo do Chega e as exigências falhadas
Ao longo das últimas semanas, o Governo procurou encontrar pontos de entendimento com o partido de André Ventura. Entre as condições impostas pelo Chega para viabilizar o documento encontrava-se a reposição dos dias de férias retirados durante o período da Troika e a redução da idade da reforma para os 65 anos. A relutância dos sociais-democratas em acolher esta última exigência terá sido o fator decisivo para a inversão do sentido de voto do partido liderado por André Ventura.
A decisão contraria as indicações dadas na véspera. No debate desta quinta-feira, Ventura chegou mesmo a reclamar os louros das medidas sociais que estariam prestes a ser aprovadas. O líder do Chega afirmou que as pessoas se iriam perguntar quem lhes conseguiu mais dias de férias, corrigiu erros na amamentação ou garantiu o pagamento do trabalho por turnos a um milhão de pessoas, assegurando que “foi o Chega que conseguiu esta vitória”.
O desfecho desta sexta-feira frustrou as elevadas expectativas que se viviam nas bancadas dos partidos que sustentam o Governo. Antes da votação, a liderança parlamentar do PSD exibia grande otimismo quanto à aprovação do pacote laboral. Hugo Soares, líder parlamentar social-democrata, manifestava total confiança na viabilização da reforma durante o debate, garantindo que a proposta seria aprovada “por muito que custe” à esquerda.
Uma vitória celebrada pelas centrais sindicais
Com a queda da reforma do Governo para a área do Trabalho, a esquerda parlamentar regista uma vitória política clara, sentimento que transbordou para fora do hemiciclo. A rejeição do pacote laboral foi recebida como uma excelente notícia pelas centrais sindicais, que acompanharam de perto as votações no Parlamento, com destaque para a presença nas galerias do secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira.
