“O Norte escolheu iniciar um novo ciclo. Temos que passar para a execução”

Eleito esta segunda-feira presidente da CCDR-Norte, Álvaro Santos disse hoje à RUM que a vitória expressiva diante de António Cunha com mais de 600 votos de diferença é “um sinal claro que o Norte escolheu iniciar um novo ciclo” manifestando igualmente “uma confiança no projeto coletivo assente na exigência e na ambição e na capacidade de fazer melhor”.
O ex-presidente da câmara de Gaia, desafiado por Luís Montenegro a concorrer à liderança da CCDR-N, venceu por uma margem confortável, afastando do cargo António Cunha de quem foi manifestando algum distanciamento no modelo de liderança.
Álvaro Santos reconhece que se aproxima um ciclo “de maior exigência estratégica, de maior proximidade aos municípios, de valorização do conhecimento” apontando, nomeadamente, “o reforço da coesão territorial e de afirmação do Norte no contexto nacional e europeu”.
A execução do Programa Operacional Norte 2030 apresenta-se como um dos desafios mais absorventes para a equipa que o acompanha. Um processo que exige igualmente “uma comunhão de esforços com todos os agentes, com todos os municípios, com todos os agentes sociais e económicos da região”, diz.
O Norte 2030 apresenta-se como “uma oportunidade que provavelmente não se vai repetir tão cedo, com muitos milhões de euros para investir na região e para recuperar os níveis de riqueza” que se pretende.
Apostado em retirar ao norte o rótulo de “região mais pobre de Portugal”, considera que esse fim exige um caminho de “convergência com as médias europeias”, através do aumento do rendimento dos trabalhadores. “Eu acho que temos que colocar de lado, definitivamente, os diagnósticos, as boas intenções, os bons powerpoints e temos que passar para a execução, definitivamente para a execução”, afiança. Outra preocupação na conclusão atempada de projetos já assegurados, mas com metas rígidas está na falta de mão de obra nas empresas de construção.
Afirmando-se como um “fazedor de pontes”, o sucessor de António Cunha sublinha a convicção de que não vê a região norte como uma ilha e também por isso “o norte não pode estar de costas voltadas para os centros de decisão, sejam eles em Lisboa, sejam eles em Bruxelas”. Afastando um estilo de “amuos” com o primeiro ministro ou governo, a voz que vai assumir a liderança da CCDR-N muito em breve é uma voz que “confia” e apresentará uma postura de “articulação com todos fazendo valer os argumentos da região, mas não pelos argumentos da força”. “Quero puxar a região norte para cima porque puxando a região norte para cima estamos a puxar Portugal para cima”, sustenta.
Ainda sem data marcada para a tomada de posse, Álvaro Santos deverá em breve reunir com António Cunha para passagem de dossiers. “Espero que a tomada de posse não seja muito demorada, já estou de mangas arregaçadas para começar a trabalhar pela região”, declarou.
