O homem que soube esperar: António José Seguro toma hoje posse como Presidente da República

Vai assumir, esta manhã, a chefia do Estado português, sucedendo a Marcelo Rebelo de Sousa. Numa cerimónia com um programa inédito de dois dias, o novo Presidente da República promete descentralização e coesão territorial, estendendo as celebrações a Arganil, Guimarães e Porto.

Eleito na segunda volta a 8 de fevereiro com uma vitória histórica de 66,84% dos votos frente a André Ventura, o antigo secretário-geral do Partido Socialista regressa à linha da frente ao fim de quase uma década de afastamento, para um mandato que promete coabitação institucional com o Governo. É o culminar de um longo trajeto político, marcado por uma demorada pausa antes da corrida a Belém.


Perfil de antónio josé seguro

Nasceu em Penamacor, em março de 1962, e foi lá que deu os primeiros passos cívicos. Mas foi na década de 90 do século passado que António José Seguro começou a desenhar o seu peso político. Liderou a Juventude Socialista e ascendeu no partido pela mão de António Guterres, de quem foi chefe de gabinete, secretário de Estado e ministro-adjunto. Esses anos moldaram-lhe o estilo: a valorização dos afetos, a proximidade com os militantes e o apelo ao consenso. Durante a liderança de José Sócrates, Seguro manteve-se numa discreta segunda linha. A sua hora chegou em 2011, quando assumiu o cargo de secretário-geral do PS num país sob intervenção da Troika. No entanto, a liderança terminaria de forma amarga três anos depois, com a pesada derrota nas primárias contra António Costa. O embate ditou um corte radical. Seguro afastou-se da política ativa durante quase uma década. Refugiou-se nas aulas universitárias e no silêncio, recusando comentar a governação socialista. A pausa só terminou no final de 2024. Voltou como comentador televisivo, lançou o Movimento UPortugal e construiu a sua candidatura ao Palácio de Belém com uma promessa: ‘Afastei-me quando podia dividir, volto agora para unir’. Aos 64 anos, o homem que soube esperar assume hoje a chefia do Estado.

O perfil do novo Chefe de Estado, traçado por José Silva Brás

A tomada de posse que se estende por dois dias

O regresso oficial ao palco político cumpre-se esta manhã no Palácio de São Bento, num cerimonial que contará com a presença de convidados internacionais, como o Rei de Espanha, Felipe VI, e os presidentes de Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. A sessão solene obedece a um minucioso protocolo de Estado.

Os detalhes da tomada de posse, com Marcelo Hermsdorf

Após a cerimónia na Assembleia da República, o novo Chefe de Estado desloca-se ao Mosteiro dos Jerónimos para depositar uma coroa de flores no túmulo de Luís Vaz de Camões. A chegada ao Palácio de Belém far-se-á a pé, acompanhado pela família, com a abertura dos jardins à população marcada para as 15h30.

O dia de hoje inclui ainda um encontro com 52 jovens no ISCSP (simbolizando os anos da democracia portuguesa) e encerra com a tradicional condecoração do Presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio Nacional da Ajuda.

Com o objetivo de sublinhar a importância da coesão territorial, Seguro inovou ao prolongar o programa para um segundo dia, com uma agenda inteiramente descentralizada.

Na terça-feira, o Presidente da República visita a aldeia de Mourísia, em Arganil, fustigada pelos incêndios em 2025, passando depois por Guimarães (Capital Verde Europeia 2026), numa afirmação do compromisso com a sustentabilidade. As celebrações terminam com uma receção na Câmara Municipal do Porto.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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