Museu dos Biscainhos prepara abertura total do jardim e inaugura novos espaços em maio

A partir de maio, dois anos e meio após o início das obras de requalificação, todo o jardim do Museu dos Biscainhos vai estar acessível aos visitantes. O espaço, aberto parcialmente durante as intervenções, está na última fase de obras que, de acordo com a diretora Fátima Pereira, “não se esgotam” por aqui.
Desde a reabertura do Museu, mais acessível e com nova museografia, no ano passado, mais cinco espaços foram reabertos. Um deles, a Escadaria Oriental, que esteve fechada durante três décadas, passou a ser percorrida no último mês. Pelo contrário, os visitantes sempre tiveram acesso, ainda que parcialmente, ao terreiro e ao jardim formal.
Neste momento, o recinto com cerca de um hectare de espaço verde e edificado “está numa fase sensível do ponto de vista do risco” uma vez que está a ser finalizada a ligação da rede elétrica que vai alimentar o circuito das fontes, daí não ser permitida ainda a visitação.
Isto, contudo, não é o fim dos planos para o espaço, classificado como ‘Imóvel de Interesse Público’ desde 1949 e integrante, desde 2020, da ‘Rota dos Jardins Históricos do Baixo Minho’.

De acordo com a diretora do Museu, “a intervenção no jardim não se esgota com o final desta obra”, visto que na empreitada está prevista ainda a “iluminação dos jardins, que vai permitir explorar atividades no final do dia, assim como outras intervenções de salvaguarda do coberto vegetal”.
“Portanto o pós-obra e a abertura do jardim em pleno não é um fim em si mesmo, no fundo é uma etapa de um processo que queremos que continue nos próximos meses”.
Apesar dos constrangimentos, para a dirigente, este é um “momento muito feliz” porque este trabalho “contínuo” de valorização do património “é o que é desejável do ponto de vista do investimento na cultura”, mas nem sempre é possível devido a limitações orçamentais.
A par desta intervenção, já arrancaram as obras de requalificação da pintura setecentista que adorna o teto do Salão Nobre, previstas demorar cerca de três meses, e a Cozinha Senhorial está prestes a ser inaugurada.
Sem avançar uma data concreta, mas a apontar também para o início do mês de maio, Fátima Pereira assegura que o espaço será uma “área de grande valor patrimonial” e centro de várias atividades dinamizadas pelo serviço educativo do Museu.
Equipa prevê abrir ao público mais oito salas no futuro próximo
Atualmente, pouco mais de 1/3 do Palácio dos Biscainhos é visitável. Sendo certo que há salas, como os quartos dos empregados, que não têm valor patrimonial ou histórico que justifique a visita, das 68 divisões que integram o edifício, 17 estão abertas ao público.
“Num horizonte mais alargado, pensamos abrir a torre. Mas isso implica que se encontre uma solução definitiva para as grandes coleções que o Palácio dos Biscainhos tem porque são do ponto de vista da sua qualidade e da sua quantidade muito expressivas”.
Num “horizonte médio”, apontado pela diretora, prevêem-se abrir mais oito: a capela, no terceiro piso, e a Ala Império.
Um “sonho” que Fátima Pereira reconhece ser um desafio, pelo investimento avultado, que ascende ao meio milhão de euros, e pelo espaço de reserva limitado para acomodar o espólio.
Já a preparar o concurso, com o apoio da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E, que tutela o espaço, a Património Cultural, IP e a Câmara Municipal de Braga, a dirigente aponta a primeira fase da empreitada para a renovação da rede elétrica instalada nos anos 80.
“A nossa vontade é que o palácio possa abrir o maior número de salas possível à comunidade”
Diretora aponta meta para os 65 mil visitantes
Até ao final do ano, Fátima Pereira espera que o Museu dos Biscainhos receba entre 60 e 65 mil visitantes. Reconhece que é uma “meta ambiciosa”, mas é calculada com base no histórico do espaço.
No ano passado, aberto só metade do ano, o Palácio acolheu 36 mil pessoas; este ano, apesar de os números ainda não estarem consolidados, notou-se o “impacto positivo” da Semana Santa.
“Tivemos muita gente a visitar-nos. De comunidades muito diferentes e de todos os lados do mundo”.
Os turistas portugueses também se fizeram notar, mas as razões ainda não são claras. A responsável fala numa aproximação “significa” das pessoas ao património, em parte espontânea, em parte fruto do trabalho do museu junto dos mediadores e agentes de turismo.
“Eu acho que vai correr mesmo muito bem. Estamos com expectativas boas do ponto de vista turístico, este ano”, remata.



