Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa empenhado em reforçar vertente técnica

O Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, em Braga continua a perder técnicos especializados para a aposentação com o processo de subsituição a decorrer a um ritmo diferente do que se pretenderia. Cinco profissionais que passaram pelo Laboratório de Conservação e Restauro saíram no ano de 2025 e a diretora do Museu estima que “durante 2026 saiam outros tantos”, o que exige um trabalho de diálogo com a Museus e Monumentos de Portugal na expetativa de atingir um equilíbrio importante para garantir o trabalho distintivo do espaço.
Em entrevista à RUM, Maria José Sousa sinaliza que “durante muito tempo não houve investimento para repor os recursos humanos que iam saindo, porque as opções eram outras”. “Agora, com a Museus e Monumentos de Portugal estamos também a reforçar as equipas e isso é muito valorizado, principalmente esta vertente técnica do museu de arqueologia”, sustenta a responsável.
No espaço de grande entrevista semanal da RUM, Maria José Sousa, diretora do espaço desde o ano passado, explicou que já foi possível com a Museus e Monumentos “contratar mais uma desenhadora arqueológica”. No gabinete de desenho, onde no passado estavam três desenhadores e vários estagiários, trabalham atualmente duas desenhadoras, uma conquista realçada pela responsável que manifesta a convicção de conseguir, “com o tempo, colmatar esta lacuna que se foi criando”.
No laboratório de restauro são cinco as técnicas que se preparam para a aposentação ainda neste ano de 2026 sendo “fundamental” a passagem de conhecimento para as novas gerações. Embora “muitos procedimentos com técnicas atuais até possam ser mais adequadas, há um saber de experiência feito que não se consegue nos cursos de conservação e restauro e que a experiência vai ditando”, nomeadamente com adaptação de procedimentos, admite.
Assim, estima-se que a contratação de mais pessoal permita entretanto “repor recursos humanos técnicos que fazem muita falta”.

Em 2025 passaram pelo museu 50 mil pessoas. Quanto a números de visitas exclusivas guiadas e oficinas rondaram os 15 mil, um número “que satisfaz” mas que se pretende que aumente nos próximos anos.
50 anos do Campo Arqueológico celebrados com documentário em 2026
Em 2026 assinalam-se os 50 anos do Campo Arqueológico de Braga e o Museu D. Diogo de Sousa está a preparar um conjunto de iniciativas, incluindo a elaboração de um documentário.
Maria José Sousa assinala que “o corpo técnico do museu eram jovens que começaram a trabalhar no campo arqueológico e que depois passaram para o quadro técnico do museu”.
Por isso, o Museu é hoje “herdeiro desse campo arqueológico e do movimento cívico fabuloso que aconteceu principalmente em 1976, que fez com que Braga parasse para olhar para o que era o seu património arqueológico, e conseguisse salvar, muitas vezes com bastante custo e muito esforço de alguns”. E é precisamente esse conjunto de pessoas que a direção do museu pretende nesta data redonda homenagear e valorizar numa celebração articulada em parceria com a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho.
Museu aposta na informação personalizada
Entre os novos investimentos, o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa vai passar a disponibilizar mais informação para quem visita o museu de forma autónoma.
“Queremos tornar acessíveis e atrativos os espólios que temos em exposição porque sabemos que a arqueologia não é algo que seja muito perceptível aos visitantes comuns que ficam a olhar para uma vitrine cheia de fragmentos cerâmicos e que se não explicarmos o que é que aquilo é, o que é que representa e o que queremos que diga sobre a nossa história”
A responsável reconhece que é “uma lacuna a falta de informação e de contextualização nas visitas individuais”.
O que se pretende é óbvio para a diretora do Museu. “Tornar acessíveis e atrativos os espólios que temos em exposição porque sabemos que a arqueologia não é algo que seja muito perceptível aos visitantes comuns que ficam a olhar para uma vitrine cheia de fragmentos cerâmicos e que se não explicarmos o que é que aquilo é, o que é que representa e o que queremos que diga sobre a nossa história… Isso é uma área em que estamos agora a trabalhar e que vamos também implementar as tais melhorias ainda no primeiro semestre, acreditamos, mas estamos também a fazer investimentos e que já irão também começar em breve, equipar melhor o laboratório de conservação e restauro, também para podermos fazer intervenções diferenciadas e com outro tipo de resultados no estudo das coleções, fazendo com que o museu seja também, digamos assim, um museu que serve de apoio, porque esse é o nosso papel, também a outras instituições da região, outros museus, museus e monumentos”, explica a responsável.
Um trabalho que não se esgota nessa dimensão dado o trabalho realizado para outros museus. “É algo que procuramos fazer a nível do laboratório de conservação e restauro e que fazemos com frequência, que é precisamente restaurar ou conservar peças de outros museus, nomeadamente nesta altura temos algumas peças do museu dos Biscainhos, em que a conservadora do museu dos Biscainhos está no museu com as colegas do D. Diogo a fazer restauro de algumas peças, mas já houve outras anteriormente que foram intervencionadas só por nós, também do museu Alberto Sampaio de Guimarães, fizemos também o restauro de uma taça romana do museu Abade Baçal, que se encontra agora em exposição e um museu que está fantástico também e que reabriu depois das obras PRR há muito pouco tempo, temos assim também este papel de dar apoio a outras instituições com quem muitas delas temos até protocolos de parceria estabelecidos”, acrescenta.
O projeto tendo em vista a digitalização do museu não está concluído devido à mudança de tutela da Direção Regional de Cultura Norte para a Museus e Monumentos de Portugal em janeiro de 2024. Mas já com processos de digitalização “em 3D e 2D em grande parte do espólio”, o museu prepara-se para facultar para investigação e visita “algum do espólio mais significativo”, ainda que se verifiquem mais processos em curso com a entidade gestora.
O Museu regista “um aumento gradual de visitantes” com destaque para um crescimento de visitantes portugueses.
Em 2025 passaram pelo museu 50 mil pessoas. Quanto a números de visitas exclusivas guiadas e oficinas rondaram os 15 mil, um número “que satisfaz” mas que se pretende que aumente nos próximos anos.
