Morreu Wladimir Brito, Professor Catedrático da Escola de Direito da UMinho

Wladimir Brito tinha 77 anos. Nasceu na Guiné-Bissau, foi criado em Cabo Verde e na juventude viajou para Lisboa. Mais tarde frequentou a Universidade de Coimbra.

Morreu Wladimir Brito, Professor Catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho. A confirmação surgiu esta tarde num comunicado enviado pela autarquia vimaranense. Tinha 77 anos.

Apelidado do pai da Constituição de Cabo Verde, Wladimir Brito vivia em Guimarães. A sua ligação à UMinho e à Escola de Direito é de longa data onde assumiu diferentes responsabilidades de direção.

Nos últimos anos foi alvo de várias homenagens da Universidade do Minho e a última em parceria com a Comissão de Homenagem aos Democratas do Distrito de Braga. Em outubro de 2025 e em declarações à RUM, confidenciava o orgulho pelo reconhecimento.

Participou na resistência à ditadura e, enquanto militar, na Revolução de Abril de 1974, opôs-se depois aos regimes de partido único na Guiné e em Cabo Verde e viria a assumir um papel determinante como redator principal da Constituição de Cabo Verde de 1992, contributo maior para a consolidação democrática daquele país.

No plano académico, fez a licenciatura, o mestrado e o doutoramento em Direito na Universidade de Coimbra e foi, mais tarde, professor catedrático da Escola de Direito da Universidade do Minho, instituição onde exerceu relevantes funções de direção e coordenação académica, incluindo a vice-presidência da Escola, a direção da licenciatura em Direito, do mestrado em Direitos Humanos e do mestrado em Direito Judiciário, entre outras responsabilidades. O seu percurso distinguiu-se ainda pela investigação, pela produção científica, pela edição jurídica e por uma longa atividade de advocacia.

Presidente da Câmara Municipal de Guimarães recorda “homem de pensamento livre e de profunda intervenção cívica”

A última homenagem na UMinho em outubro de 2025 (FOTO: NUNO GONÇALVES/UMINHO)

Numa nota enviada à RUM, o presidente do Município de Guimarães, Ricardo Araújo, assinala o impacto de Wladimir Brito, “uma voz respeitada de cidadania e democracia” que “participou durante muitos anos na vida ativa da cidade de Guimarães”.

“Guimarães despede-se, assim, de um homem de pensamento livre, de elevada cultura jurídica e de profunda intervenção cívica, cujo legado ultrapassa fronteiras e permanecerá ligado à defesa da dignidade humana, da liberdade e da justiça. A memória de Wladimir Brito perdurará como exemplo de independência intelectual, coragem democrática e serviço ao bem comum”, pode ler-se no comunicado.

O autarca apresenta condolências à família e amigos, mas também “à Universidade do Minho, à comunidade académica e a todos quantos com ele privaram e aprenderam, em Guimarães, em Portugal e no mundo lusófono”, as mais sentidas condolências.”

“Guimarães despede-se, hoje, de um homem de convicções, de coragem e de pensamento, cuja memória permanecerá ligada aos valores da liberdade, da justiça e da dignidade humana”, finaliza.

Em atualização

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Elsa Moura
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