Montenegro quer universidades a criarem alianças internacionais para competir por fundos europeus

O primeiro ministro, Luís Montenegro lançou esta quinta-feira, em Leiria, um desafio às instituições de ensino superior portuguesas para reforçarem parcerias nacionais e internacionais, numa altura em que Portugal se prepara para um novo modelo de acesso a financiamento europeu “baseado na competitividade e no mérito dos projetos”, competindo a uma mais desafiante.
A mensagem foi deixada logo após um Conselho de Ministros dedicado ao ensino superior, no qual o Governo aprovou a criação da Universidade de Leiria e do Oeste e da Universidade Técnica do Porto, além da integração da Escola Superior de Hotelaria do Estoril na Universidade NOVA de Lisboa e novas medidas de ação social para estudantes com entrada em vigor no próximo ano letivo 2026/2027.
Durante o discurso – já depois da intervenção do ministro Fernando Alexandre, – Luís Montenegro alertou que o próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia vai alterar profundamente a lógica de distribuição dos fundos europeus.
“Nós vamos cada vez mais estar sujeitos a uma avaliação qualitativa e concorrencial do acesso a financiamento europeu”, notando que os financiamentos deixarão de ser atribuídos apenas através de envelopes financeiros pré-definidos para cada setor, mas através da capacidade competitiva das instituições e do impacto concreto dos projetos apresentados.
“Aquilo que vai acontecer no futuro é que esses financiamentos serão atribuídos em função do mérito intrínseco dos projetos, da tradução desses projetos em competitividade económica e coesão social”, reiterou, lançando, por isso, um desafio às universidades: devem preparar-se desde já para competir diretamente com instituições europeias.
“Daqui a um ano e meio estaremos a concorrer com alemães, franceses, italianos, nórdicos e com todas as geografias da Europa”, exemplificou.
Montenegro apelou, por isso, à criação de sinergias entre instituições de ensino superior portuguesas e estrangeiras, considerando que o ganho de escala será determinante no novo ciclo europeu.
“Nós estamos num ponto onde devemos pensar em criar sinergias entre instituições de ensino superior portuguesas e eventualmente estrangeiras”, afirmou.
“Nós queremos instituições de ensino superior fortes academicamente, fortes na ligação às empresas e fortes também nos movimentos de parceria e sinergia à escala nacional e internacional”, prosseguiu.
A aposta na cooperação internacional integra aquilo que o Governo define como uma estratégia de fortalecimento do sistema científico e universitário português, baseada na ligação entre educação, ciência, inovação e desenvolvimento económico.
Ao longo da intervenção, o governante social democrata enquadrou as decisões do Conselho de Ministros numa visão mais ampla para o país, sustentada no aproveitamento do “capital humano” e na valorização do conhecimento como motor de competitividade.
Desde os anos 80 que Portugal não criava uma nova universidade pública
O primeiro ministro começou o seu discurso por realçar a criação das duas novas universidades públicas como um momento histórico, lembrando que Portugal não criava novas universidades desde os anos 80.
“As últimas universidades públicas criadas foram a UTAD, a UBI e a Universidade da Madeira”, recordou.
Além do reforço do ensino universitário, o executivo aprovou também medidas ligadas ao ensino profissional e à ação social no ensino superior, com enfoque no alojamento estudantil e na igualdade de oportunidades.
“O Estado tem de dar as condições para que ninguém seja penalizado pela sua condição económica ou geográfica”, sinalizou ainda.
