Miguel Oliveira distinguido com o Prémio de Mérito Científico 2026 da UMinho

Miguel Oliveira é o vencedor do Prémio de Mérito Científico da Universidade do Minho em 2026. Aos 48 anos, o investigador principal com agregação e vice-presidente do I3Bs – Instituto de Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos, vê reconhecido um percurso de excelência dedicado à engenharia de tecidos e à nanomedicina.
Natural de Caldas das Taipas, Guimarães, o cientista trabalha hoje “paredes meias” com o local onde cresceu, no AvePark. Embora o futebol tenha sido uma paixão de juventude, foi a curiosidade pelas estrelas e um acontecimento familiar marcante que o direcionaram para a ciência. Miguel Oliveira recorda que a motivação para o seu trabalho é diária e focada no impacto real na vida das pessoas.
“A realização que eu tenho no meu trabalho é muito difícil de igualar. Desde muito pequeno sabia que era isto que eu queria e por isso eu vivo a ciência e a minha forma de estar é muito dedicada ao que faço. Tornou-se o meu estilo de vida. O meu objetivo é fazer a diferença na área biomédica, ajudar pacientes e, se puder fazê-lo na área do cancro, então melhor.”
Atualmente, o foco da sua investigação divide-se entre o tratamento de lesões músculo-esqueléticas e novas soluções terapêuticas para o cancro. A equipa liderada por Miguel Oliveira está a desenvolver um dispositivo de diagnóstico para o cancro colorretal, um dos mais letais em Portugal, com o objetivo de identificar marcadores biológicos através de análises sanguíneas.
O especialista adianta que os ensaios clínicos estão em curso e que o próximo passo poderá passar pela criação de uma start-up para fazer chegar a tecnologia ao mercado.
“Estamos a desenvolver ensaios clínicos com cerca de 100 pacientes – vamos a meio do estudo, mas os resultados são já muito promissores – e daí avançarmos para uma ronda de financiamento e criarmos um projeto empresarial para levar o produto para o mercado.”
Com um percurso internacional que incluiu dois anos em Osaka, no Japão, e distinções como o título de Fellow of Biomaterials Science and Engineering, Miguel Oliveira recebe agora a máxima distinção científica da sua academia.
Para o investigador, este prémio é um “grande estímulo” para toda a equipa do I3Bs, evocando uma expressão japonesa que o acompanha desde a sua passagem pelo oriente para descrever o sentimento de missão cumprida e motivação futura.
“Quando estive no Japão, diziam-me várias vezes “Ganbatte ne!”, isto é, “Dá o teu melhor!”. É isso que tenho feito ao longo do tempo. É essa a nossa motivação diária nesta equipa. Por isso, é excelente termos o reconhecimento da nossa casa pelo que temos vindo a fazer.”
O galardão será entregue na cerimónia comemorativa dos 52 anos da UMinho, que a esta hora decorre no Salão Medieval da Reitoria da academia minhota, no largo do Paço, em Braga.
