Manuel Tibo critica “país inclinado” e alerta para subfinanciamento de Terras de Bouro face a Braga

O presidente da câmara de Terras de Bouro lamenta que a coesão territorial continue a ser um “chavão” sem correspondência financeira. Manuel Tibo aponta o dedo ao centralismo que bloqueia o desenvolvimento do concelho.
O recém-nomeado presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Braga não poupa críticas à forma como o país está organizado. Em declarações ao Porto Canal, o autarca utilizou a expressão “país completamente inclinado” para descrever as assimetrias que persistem entre o litoral e o interior, sublinhando que as boas intenções do novo Plano Regional de Ordenamento do Território (PROT) podem falhar por falta de meios.
Duas velocidades na CIM do Cávado
Embora integrados na mesma Comunidade Intermunicipal (CIM), Manuel Tibo nota que Terras de Bouro e Braga vivem realidades opostas. O autarca defende que é necessário “tratar diferente o que é diferente”, criticando a distribuição de fundos que ignora as carências básicas do interior.
“A cidade de Braga, por imposição da capital do distrito, tem um projeto muito mais evoluído. A cidade cresceu muito e precisa de acompanhar estas novas realidades, mas Terras de Bouro, na baixa densidade, ainda está a debater-se com problemas e infraestruturas antigas. É preciso vê-las resolvidas.”
O edil terrabourense revela que o envelope financeiro de 9 milhões de euros previsto para o concelho até 2027 é manifestamente insuficiente para as necessidades de saúde, educação e infraestruturas.
PDM bloqueado pela “burocracia central”
Um dos pontos mais sensíveis da intervenção de Tibo prende-se com o ordenamento do território. O autarca confessa a sua frustração com o atraso na revisão do Plano Diretor Municipal (PDM), um processo que se arrasta desde 2018 devido à dependência da Administração Central.
“Iniciei um processo de revisão do PDM em 2018, estamos em 2026 e eu ainda não o concluí. E estou longe de o concluir porque a Administração Central ainda vai dar a opinião final sobre uma revisão de um plano especial que está em atraso da sua revisão há mais de 14 anos. É castrador.”
Apesar do tom crítico, o novo líder da Proteção Civil Distrital diz ter a “esperança renovada” no Governo de Luís Montenegro, esperando que este consiga “fazer a diferença e transformar Portugal”. Manuel Tibo insiste que a descentralização de competências deve ser acompanhada por meios financeiros reais, sob pena de os autarcas continuarem a ser “fiéis depositários” de promessas que não conseguem concretizar junto das populações.
