Maioria na AM de Braga aprova alteração de estatutos da TUB

Ainda assim vários partidos da oposição manifestaram dúvidas na acumulação de responsabilidades do BRT, assim como na própria concretização do projeto.


A Assembleia Municipal (AM) de Braga aprovou esta terça-feira, em sessão extraordinária, a alteração dos estatutos da empresa municipal Transportes Urbanos de Braga (TUB) que passa a incluir o BRT, cuja primeira linha deverá ser construída até junho de 2026 com o apoio do Plano de Recuperação e Resiliência.


O objetivo do Município de Braga passa pela construção de quatro linhas nos próximos anos. A primeira linha a executar vai ligar a Estação de Braga ao Hospital de Braga, passando pelo Campus de Gualtar da Universidade do Minho.

A proposta de alteração de estatutos foi aprovada com 34 votos a favor, – a maioria dos deputados do PSD, CDS-PP e PPM, – assim com vários presidentes de junta, enquanto os votos contra incluíram os deputados eleitos do PS, BE, Chega e PAN. Por sua vez, CDU, IL e o presidente da junta de freguesia de S. Victor, abstiveram-se neste ponto.

Já na reunião de executivo municipal de Braga, a proposta tinha merecido vários reparos dos partidos da oposição.

Na Assembleia Municipal de Braga desta terça-feira, realizada no auditório do Centro de Juventude de Braga, surgiram do PS, PAN e BE as críticas mais diretas.

A primeira intervenção coube ao deputado da CDU, João Batista, ele que é também o candidato da CDU a presidente da Câmara Municipal de Braga nas eleições autárquicas de 2025.

O deputado afirmou que o facto de se tratar de um “processo demasiado moroso e penoso merece uma nota de desagrado”, assim como o facto de o percurso da linha vermelha do BRT resultar, no futuro, de “um tempo maior de percurso até ao hospital”, numa solução que, na ótica dos comunistas, “prejudica os estudantes da UMinho”.

O deputado da CDU utilizou ainda a ironia para se referir ao facto de não se criar mais um conselho de administração, evitando a criação de mais  ‘jobs for de boys’. 

O deputado do BE, António Lima, assumiu que o seu partido não concorda com a transferência de todas as competências que surgem na proposta. “Há um exagero nas competências transferidas e sem necessidade”, disse também, além de considerar, sobre a passagem do BRT no interior do campus de Gualtar, que será “meter um monstro a passar pelo meio de um campus que está cheio como um ovo”. 

Ainda menos convencido surgiu Tiago Teixeira, deputado municipal do PAN. “Após a perda de 24ME e uma das linhas do BRT assistimos a mais um procedimento a meio de um contrato público. Este projeto do BRT está destinado a não ter um início”, afirmou, antecipando “um passo em falso, uma medida antes de tempo e para roubar a responsabilidade política ao executivo”. “Daqui a uns meses vamos estar a chorar por mais 100ME perdidos. Não faz sentido”, concluiu.


Ora, João Marques, deputado municipal do PSD, afirmou que a proposta submetida a discussão e votação confirma que a maioria da coligação Juntos por Braga apresenta-se “na medida certa”. Sobre a passagem da linha vermelha do BRT no campus de Gualtar, outra vitória, ele que fez questão de recordar que “durante muitos anos a hipótese de passar dentro da UMInho era uma miragem”, mas que agora com o BRT “vai acontecer”.

Saiu ainda em defesa da maioria no executivo municipal de Braga ao considerar que o “problema nestes anos não foi na inacção da CMB”. “As entidades nacionais e com competência falharam redondamente ao projeto do BRT. Se Braga foi prejudicada não foi por causa da CMB”. Sobre as competências adicionais da empresa municipal com o BRT recusou também a ideia de que “passar competências para o TUB não é retirar responsabilidade da CMB”, uma vez que a TUB “tem justamente esta competência e fica com os instrumentos necessários para levar a bom porto o projeto do BRT.”


Do lado dos socialistas, o deputado municipal João Nogueira lembrou que foi “dos mais entusiastas para que o BRT fosse uma realidade em tempo útil”, ainda que aponte: “vamos aos poucos e poucos desacreditando nisto”, disse. 

Ainda que tenha admitido melhorias na TUB seja pela via da sustentabilidade como do conforto das viaturas, chamou para o PS os louros dos investimentos realizados.

Sobre a alteração de estatutos e a acomodação do BRT, o deputado defendeu que algumas questões “precisavam de ser mais discutidas e mais aclaradas” , nomeadamente os processos de contraordenação e a gestão do espaço público municipal e privado. O socialista, que já foi presidente da junta de Gualtar, disse ser “extremamente positivo” a solução do BRT na zona de Gualtar mesmo que evidenciando que o mesmo projeto “pode correr o risco de nunca mais avançar”. “Não foi só por culpa da administração central. Faltou coragem para que isto avançasse. O BRT está em sentido contrário”, atirou.

O Presidente da Junta de S. Victor, Ricardo Silva, evidenciou que o reforço de competências pode ser “benéfico”, enquanto sobre o BRT, afirmou que está a ser passado “um cheque em branco” à empresa municipal. Alertando que falta um ano de trabalho, levantou uma questão caso a obra não fique concluída dentro do prazo exigido pelo PRR. “Quem vai pagar? A empresa?”, atirou, sugerindo ainda uma discussão “aberta a toda a gente”.

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Elsa Moura
Elsa Moura

Diretora de Informação

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