Luca Argel e Moreno Veloso “provocam” os pilares da masculinidade este sábado no Theatro Circo

Os músicos brasileiros sobe ao palco da sala principal, a partir das 21h30, para a apresentarem o novo trabalho 'O Homem Triste'.
Palavras de Luca Argel.

O Theatro Circo recebe este sábado Luca Argel, que vem a Braga apresentar o seu projeto mais íntimo e ousado: ‘O Homem Triste’. O álbum-conceito mergulha nas profundezas da saúde mental masculina e na política das emoções.

Em entrevista ao programa da RUM, Português Suave, o artista brasileiro sublinha que este novo trabalho não é apenas música, é um desafio às convenções. A “mensagem” que quis passar, revela, está condensada na música homónima que abre o álbum, que é “uma provocação acima de tudo”.

A produção do disco contou com a assinatura do “sensível, generoso, experiente” Moreno Veloso. Após um processo de gravação que misturou momentos presenciais e trabalho à distância, o encontro em palco pela primeira vez, e em Braga, assume um simbolismo especial. Luca Argel não poupa elogios ao colega, que estará presente neste concerto no Theatro Circo, pelas 21h30, e, posteriormente, em Lisboa, no dia 2 de março.

Fotografia: Theatro Circo

A génese do disco encontra-se numa provocação central que questiona os pilares da masculinidade tradicional e joga a afirmação “de que mais vale ser homem do que ser feliz”. “Não porque eu acredite nisso, mas porque acho que nós, homens, nos confrontamos com esse dilema, quer tenhamos percebido ou não”, refere.

Embora não assuma o disco como autobiográfico, as narrativas de ‘O Homem Triste’ tocam em pontos sensíveis e transversais à experiência masculina contemporânea, segundo Luca Argel. O músico descreve o processo de criação como um exercício de “escarafunchar” histórias que, embora alheias, ecoam na sua própria vivência e que vai ser soar familiar a muitos que ouvirem.

O projeto estende-se além do campo auditivo. O livreto do disco inclui uma componente gráfica que “se sustenta independente do formato físico”: um mapa que funciona como “uma espécie de raio-X da masculinidade”.

A reflexão sobre a masculinidade, revela, teve como alicerce o ensaio ‘Meigo Energúmeno’, de 2025, quando o músico analisou o estereótipo do homem idealizado na obra de Vinicius de Moraes. Esse estudo prévio foi, segundo o próprio, o movimento crucial para a construção deste novo universo artístico.

Mais do que um produto cultural, o artista assume que o disco tem uma finalidade educativa e diz ter “todo o gosto” quando docentes levam estes temas para o debate escolar através do seu trabalho.

c/Sérgio Xavier

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Marcelo Hermsdorf
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Jornalista na RUM

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Carolina Damas
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