Juliana Soares e Francisco Garcia: Duas visões para o futuro do Conselho Nacional de Juventude

As urnas abriram esta sexta-feira, 13 de fevereiro, para eleger a nova direção do Conselho Nacional de Juventude (CNJ). Frente a frente estão duas candidaturas com perfis distintos: o Conselho Nacional de Estudantes de Direito (CNED) e a Federação Académica do Desporto Universitário (FADU).
Juliana Soares e Francisco Garcia em declarações à Universitária

É hoje o dia de todas as decisões para o Conselho Nacional de Juventude. A votação, que decorre esta sexta-feira em Lisboa, opõe duas visões distintas para o mandato 2026-2028: a de Juliana Soares (CNED), focada na mediação política e na revisão legislativa, e a de Francisco Garcia (FADU), centrada na gestão, na mobilização e na coesão territorial.

Cerca de 40 organizações juvenis são chamadas a escolher a direção que irá representar os jovens portugueses junto do Governo e do Presidente da República nos próximos dois anos.

Juliana Soares: Do Direito à luta contra a precariedade

Estudante de Direito, Juliana Soares apresenta-se com um percurso marcado pela ascensão interna no CNED. Iniciou a colaboração na área de marketing, passou pela tesouraria e acabou por exercer a presidência durante dois anos consecutivos – um feito inédito na história daquela estrutura.

Para a candidata, a prioridade não passa apenas pela habitação, mas também pelo acesso digno à profissão. Juliana Soares alerta que o modelo atual de remuneração de estágios criou novas barreiras e defende medidas de apoio aos patronos para garantir contratos justos.

“Os estágios não remunerados não afetam apenas o Direito, mas também áreas como a Psicologia. É fundamental que o trabalho seja pago, mas a forma como a legislação foi desenhada criou um entrave. Defendemos apoios do Estado para que as pequenas estruturas consigam receber estagiários e garantir o acesso à profissão.”

Juliana Soares

Outra das bandeiras da candidatura do CNED é o combate ao elitismo no associativismo. A candidata admite que o CNJ precisa de sair da “bolha” do ensino superior e chegar aos jovens que já estão no mercado de trabalho ou no ensino profissional.

“Queremos abrir o CNJ à comunidade e chegar a quem está fora desta bolha privilegiada do ensino superior. O objetivo é trabalhar com as autarquias e escolas para que os jovens do ensino profissional, ou que estão num limbo entre o estudo e o trabalho, conheçam e participem nesta estrutura.”


Francisco Garcia: Gestão de larga escala e coesão territorial

Do outro lado está Francisco Garcia. Estudante de Engenharia Civil , o candidato traz um currículo diversificado que passa pela música, pela ginástica federada e pelo associativismo estudantil.

Nos últimos três anos, co-liderou a FADU, gerindo orçamentos de grande dimensão e projetos nacionais. É essa experiência de gestão “profissional” que Francisco Garcia quer transpor para o CNJ, prometendo uma liderança capaz de potenciar os recursos da instituição.

“Nos últimos três anos tive a oportunidade de gerir uma estrutura profissional com um orçamento de grande dimensão. É com essa motivação de fazer mais e melhor, e de construir sobre o trabalho já feito, que aceitei o desafio de encabeçar esta candidatura.”

Para além da Lei do Associativismo (destaque na rádio), Francisco Garcia coloca a tónica na emancipação e na coesão territorial. O candidato sublinha que a falta de oportunidades no interior está a empurrar uma geração inteira para a emigração ou para o litoral, algo que o CNJ deve combater com políticas públicas concretas.

Francisco Garcia

“A precariedade laboral tem tudo a ver com a emancipação. Muitos jovens sentem que não têm futuro na sua terra e veem-se obrigados a sair do país. O CNJ tem de construir políticas públicas que produzam resultados, para que ninguém seja forçado a abandonar a sua região por falta de oportunidades.”

O que se decide hoje

A lista vencedora terá a missão de representar o movimento associativo jovem junto do Estado central nos próximos dois anos.

Na antena da RUM, Juliana Soares comparou o momento atual do CNJ a um processo de mediação familiar, defendendo o diálogo para evitar divisões, enquanto Francisco Garcia destacou a diversidade de ideologias dentro do Conselho como a sua maior força.

O ato eleitoral decorre em Lisboa durante o dia de hoje.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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