José Palmeira: esta é uma eleição sem “candidatos óbvios” e com os eleitores bastante divididos

Ainda que grande parte das sondagens coloquem António José Seguro e André Ventura como os candidatos mais prováveis de disputar uma segunda volta, o politólogo José Palmeira não descarta a hipótese de Luís Marques Mendes também fazer parte do rol.
Palavras de José Palmeira a propósito da segunda volta das eleições presidenciais:

Ainda que grande parte das sondagens coloquem António José Seguro e André Ventura como os candidatos mais prováveis de disputar uma segunda volta, o politólogo José Palmeira não descarta a hipótese de Luís Marques Mendes também fazer parte do rol. O candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP voltou, hoje, a aparecer no pódio de uma sondagem, pela primeira vez, desde o início da campanha.

A dois dias das eleições presidenciais, as sondagens não coincidem quanto às intenções de voto dos portugueses e a única certeza, tendo em conta as intenções de voto, é a existência de segunda volta. José Palmeira acredita que o número de eleitores indecisos é “muito elevado”, justificando o facto de haver cinco candidatos em destaque mesmo que em posição de “empate técnico”.

De acordo com o politólogo e docente da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho, esta é uma eleição sem “candidatos óbvios” e com os eleitores bastante divididos.

“O eleitorado da AD está muito dividido entre Marques Mendes, Cotrim Figueiredo e Gouveia Melo, e o eleitorado do Partido Socialista também está dividido, sobretudo, entre António José Seguro e Gouveia Melo”, sublinha.

Mas nem isto tira o mérito, e muito menos o apoio do Governo, a Luís Marques Mendes. Segundo o docente, é preciso ter em conta que o advogado, que já foi secretário de Estado e ministro, tem “o apoio de figuras de peso no PSD”, como é o caso de Aníbal Cavaco Silva, razão que o torna “um candidato com fortes possibilidades de chegar à segunda volta”.

Por outro lado, esta ligação também pode “afastar os eleitores” uma vez que a presidência da república pode ser vista (e pode pautar-se) como “uma espécie de contraponto” ao Governo, e isso, “de facto, pode afastar até eleitores que votaram AD, que podem preferir alguém que vinque melhor essa diferença”.

“Para o bem e para o mal, Luís Marques Mendes pode beneficiar dessa proximidade, ou pode ser prejudicado por ela. Só depois das eleições é que vamos poder constatar o que é que pesou mais, a sua ligação ao Governo e o seu discurso assente na estabilidade ou aquilo que é um contraponto possível”, assegura.

Montenegro “numa posição ingrata” caso Marques Mendes não passe à 2ª volta

Caso as sondagens se confirmem, não é só Luís Marques Mendes quem fica numa posição delicada. Montenegro e o PSD terão de decidir entre a neutralidade e o apoio a um dos dois candidatos das forças políticas com quem mais negoceiam na Assembleia da República.

“É um posição ingrata”, sublinha José Palmeira, acrescentando que “apoio a um deles pode prejudicar a relação parlamentar com o outro”.

Quanto à posição de Luís Marques Mendes, o docente acredita que este “nunca optaria por André Ventura num cenário destes”. “Eu diria que Luís Marques Mendes não toma posição e dá a chamada liberdade de voto ou então opta, julgo, por António José Seguro”, acrescenta.

A verdade é que o espaço do centro-direita continua a ser o maior e, somadas as percentagens de Marques Mendes e Cotrim Figueiredo, a união tenderá a gerar um vencedor.

É “inútil” o eleitorado de esquerda votar num candidato que não seja o Seguro

Até ao momento, apenas o candidato do Livre à presidência da República, Jorge Pinto, direcionou o seu eleitorado para um voto útil em António José Seguro, ainda que timidamente.

Para José Palmeira, a utilidade do “voto estratégico”, neste contexto, é óbvia e até uma opção tomada de forma “significativa” por parte do eleitorado de esquerda, no domingo.

“Sendo António José Seguro o único candidato à esquerda que tem possibilidade de chegar à segunda volta, naturalmente que seria, isso sim, inútil votar num candidato que ele, por parte de um eleitor que seja de esquerda”, remata.

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José Brás
José Brás

Jornalista na RUM

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