“Isto é que não é honesto”: Redução de 14% nos passes dos TUB gera troca de acusações

A estratégia de transportes para o concelho de Braga transformou-se num campo de batalha político esta segunda-feira. A aprovação de uma redução de 14% no preço de todos os passes dos Transportes Urbanos de Braga (TUB), com um impacto de 350 mil euros nos cofres do município, serviu de pano de fundo para uma troca de acusações agressiva entre o presidente da câmara e o movimento Amar e Servir Braga (ASB). Em causa está a integridade das promessas eleitorais e a gestão das indemnizações resultantes da suspensão da linha vermelha do BRT.
João Rodrigues: “Narrativas paralelas sem respaldo na realidade”
João Rodrigues não foi de meias palavras para responder às críticas da oposição, visando especificamente o movimento de Ricardo Silva. O autarca acusou o ASB de tentar enganar os bracarenses ao ligar a suspensão do BRT ao financiamento da gratuitidade, classificando essa leitura como uma “narrativa política” desenhada para um “mundo ideal” que não existe. O social democrata defendeu a sua legitimidade constitucional para escolher que propostas acolher e garantiu que a redução tarifária é um passo robusto, admitindo que a taxa zero será atingida “provavelmente até ao final do mandato”. Para o edil, as críticas da oposição são meras manobras que não encontram eco nos factos, especialmente perante a chegada de 39 novos autocarros.
“Isso era o que a oposição queria: que eu, no mundo ideal que fosse ao encontro da narrativa da oposição, dissesse que o BRT não permite tornar os transportes públicos gratuitos. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. E a oposição sabe que uma coisa não tem nada a ver com outra. Aliás, não foi a oposição. A oposição é composta por quatro forças e houve uma força que levantou essa questão. Não. Nós dissemos que íamos tornar o transporte público gratuito para os residentes em Braga, estamos a fazer esse caminho e começamos com uma redução de 14% em todos os passes, que é uma redução brutal no preço. Vou fazer o esforço para que isso aconteça, provavelmente até ao final do mandato, embora na campanha nunca tenha dito que era durante este mandato. Quando nos candidatamos, não prevemos fazer só um mandato, nem dois mandatos, é querer concretizar a medida. E nós vamos concretizá-la.”
Ricardo Silva: “Isto é que não é honesto”
A resposta de Ricardo Silva foi igualmente cortante. O líder do ASB acusou o autarca bracarense de falta de honestidade política ao recuar na promessa de gratuitidade total imediata, sugerindo que o executivo está a tentar camuflar dificuldades financeiras decorrentes da suspensão de obras já adjudicadas. Silva apontou o dedo ao que considera ser o “romper de um compromisso eleitoral com a população”, afirmando perentoriamente que “isto é que não é honesto”. O vereador justificou a abstenção como um “ónus de confiança” temporário, avisando que o movimento não hesitará em sancionar o executivo se a visão de futuro prometida continuar a esvair-se.
“Nós damos, com este pacto de confiança ao executivo, a possibilidade dele executar. Se ele claudicar, como claudicaram os anteriores, nós também cá estaremos para sancionar e manifestar a nossa disponibilidade para fazer, não um executivo de sombra mas, dentro do executivo, continuaremos a dar as nossas ideias, continuaremos a partilhar as nossas opiniões, continuaremos a dizer onde é que deve ser gasto todo o cêntimo ou todo o euro em benefício da população. Deixou-se cair o BRT e o presidente da câmara não foi ao encontro da gratuidade dos passes conforme havia prometido em campanha. Aquilo que nós vemos é o romper de um compromisso eleitoral com a população e isto é que não é honesto, porque de uma assentada só foram dois compromissos que se esvaneceram: o BRT e a gratuitidade dos transportes urbanos. Daqui a um ano e meio, não havendo melhorias substantivas, ficando cortados este compromisso com o eleitorado, para dizer que continuamos a ser a opção que estará à disposição da população em qualquer circunstância.”
O debate contou ainda com o alerta do PS sobre a degradação das vias e a posição do Chega, que considera a gratuitidade secundária face à eficiência do serviço. No entanto, o núcleo duro da discussão fixou-se na troca de “golpes” entre Rodrigues e Silva.
A redução de 14% nos passes dos TUB aguarda agora a ratificação final na Assembleia Municipal. Com a “luz verde” dos deputados municipais, os novos preços deverão entrar em vigor no dia 1 de março.
