Irão e EUA acordam cessar-fogo durante duas semanas e preparam desbloqueio do Estreito de Ormuz

Entre o preço do petróleo e do gás a cair quase 20% e o anúncio de Donald Trump de que ajudará a gerir o tráfego acumulado, nos próximos dias, são muitos os suspiros de alívio por se ter evitado mais uma escalada do conflito que já dura há várias semanas.

Os Estados Unidos da América e o Irão acordaram um cessar-fogo de duas semanas. Esta sexta-feira começam negociações mediadas pelo Paquistão.

Segundo Donald Trump, o compromisso resulta das conversações promovidas pelo primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, que lhe solicitou que “suspendesse o envio de forças destrutivas para o Irão esta noite, e desde que a República Islâmica do Irão concordasse com a abertura completa, imediata e segura do Estreito de Ormuz”.

Entre o preço do petróleo e do gás a cair quase 20% e o anúncio de Donald Trump de que ajudará a gerir o tráfego acumulado na região, são muitos os suspiros de alívio por se ter evitado mais uma escalada do conflito que já dura há várias semanas.

Para Kaja Kallas, a chefe da diplomacia da União Europeia, este acordo temporário “cria uma oportunidade muito necessária para reduzir as ameaças, parar os mísseis, retomar a navegação marítima e abrir espaço para a diplomacia rumo a um acordo duradouro”.

Já para Mark Rutte, chefe da NATO, os próximos dias serão de muito trabalho tendo em conta que o presidente norte-americano mantém a ameaça de retirar o país da Aliança Atlântica, apesar destes avanços diplomáticos.

O chanceler alemão foi um dos primeiros a congratular-se pela iniciativa. Friedrich Merz saudou o cessar-fogo apelando, contudo, a um fim definitivo da guerra nos próximos dias. O líder do Governo alemão agradeceu também ao Paquistão o papel de mediação no acordo.

Para o chanceler alemão, uma negociação diplomática irá servir a segurança da população civil iraniana e a estabilidade no Médio Oriente, além de contribuir para evitar “uma crise energética mundial”.

Ao mesmo tempo, o executivo alemão, segundo Merz, “apoia os esforços diplomáticos”, e irá manter contacto próximo com os EUA e outros parceiros internacionais, além de continuar disponível para contribuir “de forma adequada” para a livre navegação no Estreito de Ormuz.

Pedro Sánchez juntou-se ao coro de aplausos, mas alertou que, apesar do alívio momentâneo, não nos podemos esquecer “do caos, da destruição e das vidas perdidas”.

“O Governo de Espanha não vai aplaudir quem incendeia o mundo só porque aparece com um balde”, escreveu o líder do Governo espanhol na rede social X.

Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros português agradeceu a mediação do Paquistão, assim como “os esforços de todos os seus parceiros nas negociações”.

O ministério considera ainda que o cessar-fogo é “um primeiro passo determinante” para “uma solução diplomática duradoura e sustentável do conflito”.

“Portugal apoiou e apoia com todo o empenho este caminho diplomático, como deixou claro nos contactos dos dois últimos dias com os ministros dos Negócios Estrangeiros do Paquistão e do Egito”, pode ler-se.

c/ Jornal de Negócios

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José Brás
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Jornalista na RUM

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