Investigadores da UMinho identificam material que remove até 83% de fármaco da água potável

Um estudo liderado pela Escola de Ciências da Universidade do Minho (UMinho) identificou uma forma de remover até 83% de resíduos de medicamentos da água potável. O grande diferencial deste trabalho focou-se em testar os materiais em condições reais, como a água potável ou do mar, e não apenas em água purificada de laboratório.
O foco principal do estudo está direcionado para os chamados “contaminantes emergentes” ou “contaminantes persistentes”. O fosfato de cloroquina, segundo o investigador Pedro M. Martins, é um poluente persistente muito difícil de eliminar pelos sistemas tradicionais. Isto acontece, explica, porque as estações de tratamento convencionais (ETARs) utilizam, tipicamente, processos biológicos.
Devido à elevada “estabilidade química” e resiliência destes fármacos, os microrganismos das ETARs não conseguem travá-los, permitindo que passem pelo tratamento.
Para contornar esta limitação, a equipa avaliou o desempenho de cinco materiais semicondutores, conhecidos como fotocatalisadores. Quando estes materiais são “irradiados” por luz, “geram na sua superfície uma série de espécies oxidativas “que atacam e degradam os contaminantes presentes na solução.
Dos cinco catalisadores testados em diferentes matrizes de água, o dióxido de titânio foi o que se demonstrou “mais robusto” e capaz de degradar o fosfato de cloroquina em todos os contextos.
Dióxido de titânio destaca-se na degradação de fármacos
Graças às tecnologias atuais, que permitem identificar concentrações extremamente baixas de fármacos, a meta da equipa é conseguir, a prazo, desenhar tratamentos personalizados e ajustados para descontaminar rios, lagos e zonas costeiras.
O investigador acrescenta que o grande destaque deste artigo científico é o seu carácter sistemático, analisando a interação dos materiais ativos não apenas com o poluente isolado, mas com a complexidade da própria água.
Contudo, trabalhar com nanopartículas em suspensão acarreta o risco de que as próprias partículas se espalhem e se tornem um novo problema ambiental. Para evitar este cenário, a equipa já está a desenvolver uma fase mais avançada do projeto: a imobilização e fixação destes materiais semicondutores em membranas.
Este passo assume uma importância crucial para a saúde pública, pois além de reter os materiais em segurança, impede a sua libertação na água, permite a sua reutilização e torna todo o processo de tratamento muito mais barato.

O desenvolvimento do estudo contou com o suporte do Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-Sustentabilidade (IB-S) da UMinho. Segundo o investigador, o trabalho está alinhado com dois grandes financiamentos: o projeto nacional HyperClean, iniciado recentemente, e uma bolsa europeia Marie Curie, atribuída à investigadora Fang Yuang. Pedro M. Martins garante que a investigação continuará a avançar e que a tecnologia terá, em breve, novos capítulos.
