Investigador da UMinho recebe bolsa europeia para tornar edifícios mais resistentes a sismos

A plataforma inovadora, denominada Pan-European Earthquake Selection Platform, é capaz de prever a segurança de edifícios e monumentos históricos face a sismos.
Palavras de Paulo

O investigador Paulo Lourenço, da Universidade do Minho (UMinho), vai receber uma bolsa de 150 mil euros do Conselho Europeu de Investigação para lançar no mercado uma plataforma inovadora, denominada Pan-European Earthquake Selection Platform, capaz de prever a segurança de edifícios e monumentos históricos face a sismos. A atribuição foi anunciada este terça-feira a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

Aos microfones da RUM, o docente do Instituto para a Sustentabilidade e Inovação em Engenharia de Estruturas (ISISE) da Escola de Engenharia (EEUM), sublinha que o grande objetivo do projeto é transferir de forma eficaz para a indústria e para a academia a tecnologia de ponta desenvolvida na UMinho, focando-se no desafio da engenharia civil ligado ao risco que as construções mais antigas correm em caso de tremores de terra.

O cientista, que é uma referência mundial nesta área, explica que existem dois problemas distintos quando se pensa no património construído e no sismo: por um lado, os edifícios novos, “projetados nos últimos 30 anos” e que cumprem tipologias tradicionais, que são “construções seguras”; por outro lado, os edifícios existentes há mais tempo foram quase todos desenhados apenas para “suportar o seu próprio peso e não para resistir a eventos extremos”.


Para evitar cenários catastróficos, esta nova ferramenta, aponta à Universitária, vai funcionar na web e tirará partido de uma infraestrutura única no país, instalada na UMinho, concebida especificamente “para permitir que quem faz projeto em engenharia utilize movimentos sísmicos mais credíveis”.

Com esta aproximação prática, será possível projetar edifícios novos muito mais seguros e, acima de tudo, desenhar reforços significativamente mais eficientes e direcionados para a conservação e proteção do património edificado já existente.

O investigador esclarece que, nos regulamentos e normas de segurança atuais, tenta-se trabalhar com envolventes que englobam múltiplos locais e diferentes níveis de energia, “o que, de alguma forma, limita a previsão da resposta dos edifícios”. É precisamente por essa limitação que a equipa está a desenvolver esta plataforma digital na rede, permitindo que os utilizadores consigam, para um local perfeitamente delimitado, estimar de forma muito mais adequada, realista e rigorosa quais os movimentos sísmicos específicos que ali podem ocorrer.

Um sismo como o que ocorreu na Venezuela ou semelhante ao de 1755 seria “catastrófico” para o país.

Paulo Lourenço deixa ainda um aviso e alerta que Portugal precisa urgentemente de implementar um programa de prevenção estruturado e focado em regiões historicamente vulneráveis, como Lisboa, o Alentejo e o Algarve.

Embora o risco sísmico no Norte do país seja relativamente baixo, segundo o investigador, a situação no Sul é radicalmente oposta, e os modelos de previsão indicam que um sismo de grande dimensão naquela zona causaria perdas absolutamente devastadoras para a economia nacional com “perdas que podem atingir 20 ou 30% do Produto Interno Bruto (PIB). O sismo de 1755 estima-se que teve perdas da ordem de 75% do PIB, o que implica na falência do país: “não sei se está claro para a sociedade”, alerta.

O investigador destaca ainda o papel de liderança internacional e o forte protagonismo da Universidade do Minho nesta área científica, que conta com uma equipa que tem aplicado este conhecimento na salvaguarda de um conjunto de monumentos nacionais e internacionais de grande relevância, incluindo intervenções e estudos no Museu Nacional de Arqueologia, no Palácio de Belém, na Sé do Porto, no Paço dos Duques e na Sé de Braga.

Para o cientista, a transferência de conhecimento é uma missão obrigatória: “a importância de ligar a investigação com a aplicação, e portanto com a sociedade, eu acho que é essencial para valorizar o ensino superior e valorizar a universidade”.


Universidade do Minho

Com a atribuição desta nova distinção europeia, a Universidade do Minho reforça o seu estatuto de excelência e soma já um total de 15 bolsas do Conselho Europeu de Investigação desde o ano de 2012.

Além de Paulo Lourenço, outros quatro investigadores de mérito a trabalhar em instituições nacionais conquistaram exatamente o mesmo apoio financeiro de 150 mil euros para os seus projetos de inovação: Cristina Brito e João Conde, ambos ligados à Universidade Nova de Lisboa; Mahmoud Tavakoli, a desenvolver trabalho na Universidade de Coimbra; e Maria João Amorim, investigadora da Universidade Católica Portuguesa.

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Marcelo Hermsdorf
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Jornalista na RUM

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