Iniciativa ‘Aldeia Feliz’ leva cuidados de saúde a idosos de Foz Côa

Cerca de 30 estudantes de medicina da Universidade do Minho estão de malas aviadas com destino a Vila Nova de Foz Côa para mais uma edição da Aldeia Feliz.
Esta é já a 14ª edição da iniciativa, organizada pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da UMinho (NEMUM), que leva os mais jovens a locais isolados do norte de Portugal para promover ações de formação e rastreio de saúde aos mais idosos.
Reconhecendo o crescente envelhecimento populacional da sociedade portuguesa e os riscos que a idade e o isolamento acarretam para estas pessoas, a iniciativa não só combate ativamente as desigualdades sociais como oferece ao estudantes a oportunidade de desenvolverem uma prática médica mais humana.
De acordo com a presidente do núcleo, Ana Patrícia Peixoto, os objetivos são múltiplos, mas a iniciativa serve acima de tudo para “aproximar os estudantes destas pessoas e dar-lhes algum conforto e companhia” e também para promover hábitos saudáveis junto desta população “que, às vezes, tem menos acesso a informações de saúde”, diz.
“Temos sempre momentos de diversão em que estamos com eles, falamos com eles, não só da parte da saúde, mas mesmo companhia, como se fosse quase avós e netos”.
Os locais mais visitados pelos alunos tendem a ser lares e centros de dia, mas o projeto também visita pontos centrais do concelho e zonas remotas, onde os cuidados primários de saúde não chegam com frequência e os idosos vivem de forma mais isolada e com menor contacto com o médico de família ou os centros de saúde.
Quer seja na casa destas pessoas ou em locais públicos, a atividade é “sempre muito enriquecedora” e o feedback positivo.
“Vamos às casas dos idosos, estamos com eles, fazemos os rastreios, damos alguns conselhos a nível de saúde porque, por norma, não têm tanto acesso a hospitais centrais”
Além dos rastreio, o grupo promove ações de educação para a saúde centradas em problemas emergentes. A saúde mental é já um tema certo até porque “os idosos são uma grande parte da população que tem problemas de saúde mental subdiagnosticados”.
“É um tema muito preocupante, principalmente nesta faixa etária, porque não reconhecem os problemas, não têm tanto acesso à informação e acabam por passar muito ao lado. Isto associado ao isolamento social acaba por se tornar muito dramático para alguns idosos”.
A atividade, que tem tanto de solidária quanto de gratificante, decorre até 3 de julho. A edição deste ano esgotou, pela primeira vez em alguns anos, todas as vagas para os estudantes.
