Hospital de Braga retoma nível II do plano de contingência. Administração desmente crítica de profissionais

O anúncio, feito durante uma conferência de imprensa, esta terça-feira, surge no seguimento de um protesto organizado pela Comissão de Utentes da ULS de Braga, ao qual se juntou o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN), na entrada do hospital e que decorria em simultâneo.
Declarações de Américo Afonso, Joana Bordalo e Sá e José Lobato a propósito dos problemas que o SMN e a comissão de utentes apontam ao hospital:

O Hospital de Braga retomou ao nível II do Plano de Contingência de inverno na segunda-feira, depois de uma semana com o nível máximo (nível III) devido à pressão que os casos de gripe colocaram ao serviço de urgências. Américo Afonso, presidente do Conselho Administrativo do Hospital de Braga, garante que a situação “esteve sempre controlada” e que os profissionais de saúde têm acesso a toda a documentação relativa às normas de cada plano acionado através dos canais internos. Esta terça-feira, a administração optou por chamar a comunicação social para um ponto de situação, mas acabou com o presidente do conselho de administração a prestar a informação relativa ao plano de contingência desmentindo o sindicato, mas sem permitir que os jornalistas se alongassem em questões para lá do tema.

Poucos minutos antes decorria um protesto organizado pela Comissão de Utentes da ULS de Braga, ao qual se juntou o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN).

Aos jornalistas, Joana Bordalo e Sá, presidente do SMN reafirmou que os profissionais de saúde desconhecerem o plano de contingência acionado e insistiu que as equipas médicas se encontram sobrecarregadas e exaustas.

A estas questões, a dirigente sindical somou ainda a denúncia de uma outra situação que dura há vários meses: a falta de neurorradiologistas durante o fim-de-semana, que obriga, por exemplo, a casos de “aneurisma roto a serem transferidos para um hospital no Porto”, a suspensão do funcionamento do PET/CT, “há pelo menos dois meses” e as análises de biopsias que estão a ser “enviadas para serviços privados”.

“Os números de tempos de espera e, todo o comportamento em termos de urgência é público, e o Hospital de Braga esteve sempre no nível de controle. Tranquilidade relativamente à resposta que foi dada” Américo Afonso

Ainda em declarações à imprensa, o presidente do Conselho de Administração nomeado pela atual ministra da saúde, Américo Afonso assegurou que “ninguém ficou sem resposta”, mesmo em contexto de “elevada exigência”, situação que só foi possível devido a um plano de contingência que “existe, está ativo e está acessível, nos canais internos da instituição, a todos os profissionais”.

Apesar disso, o presidente do conselho de administração da ULS Braga reconhece que “nos cuidados de saúde primários, eventualmente poderá haver lacunas” que estão a ser tratadas.

“Este é um plano vivo que não se esgota em documento, é pensado de raiz e aplicado todos os dias em função da avaliação contínua da realidade”, sublinhou.

Também por isso, Américo Afonso afirmou que o facto de haver equipas sobrecarregadas deve-se a situação que “não é normal”, ainda que as necessidades específicas tivessem resposta dos “profissionais de excelência”. No entanto, o responsável admitiu não ter conhecimento de “nenhum report que aponte estas situações catastróficas”.

Na maior parte das circunstâncias o serviço consegue dar resposta”

Américo Afonso sobre a falta de neurradiologistas que obriga a reencaminhamento de doentes para o Porto

Relativamente ao “tema reincidente” da falta de médicos neurorradiologistas, o presidente admite haver uma “lacuna temporal” que se estende da meia-noite até às oito da manhã, uma vez que o hospital só tem três médicos habilitados a fazer este tipo de exame. Assim, e tendo em conta que “na maior parte das circunstâncias, o serviço consegue dar resposta”, os casos em que os profissionais disponíveis não possam responder atempadamente, o doente é remetido para hospitais da rede de referenciação.

Já quanto às biópsias, Américo Afonso diz que “está a ser feito exatamente o sentido contrário” à situação mencionada pelo SMN. De acordo com o responsável, as leituras são feitas no hospital, onde existe, inclusivamente, um plano de desenvolvimento de serviços de anatomia patológica que visa cumprir aquilo que é a resposta interna “de muitos dos exames que até há algum tempo eram feitos no exterior.”

Por outro lado, o PET/CT está inativo desde o dia 31 de outubro. Contudo, “desde logo, foram ativados os mecanismos internos para proceder à sua reparação” e uma alternativa foi providenciada “fora da cidade de Braga, porque é um equipamento que não tem uma alternativa”. “Reforçámos para outra entidade, de forma a que todas as respostas fossem dadas com segurança e em tempo útil, evidentemente com a deslocação sobre a nossa responsabilidade para esses locais”, acrescentou.

De acordo com Américo Afonso, a reparação do equipamento necessita, não só de um conjunto de procedimentos específicos devido a componentes radioativos, como de uma peça específica, já cedida ao hospital pela Fundação Champalimaud. A administração está, ainda, a ultimar um caderno de encargos para adquirir outro equipamento.

SMN e comissão de utentes pedem fim da negociação da PPP e hospital universitário

O protesto organizado esta terça-feira pela Comissão de Utentes da ULS de Braga pretendeu ainda reforçar a defesa do SNS e o combate à gestão de Parceria Público Privada que o governo de Luís Montenegro pretende fazer regressar.

Mais do que isso, o dirigente defendeu que o Hospital de Braga “tem as condições suficientes” para se tornar um centro hospitalar universitário e essa é a melhor solução porque “traz melhores serviços para os utentes e garante mais investigação e, consequentemente, a fixação de especialistas na região”.

De acordo com o dirigente, “existe uma orientação no sentido do corte financeiro” que põe em causa o trabalho do Hospital de Braga, que sobrecarrega os profissionais e diminui a qualidade dos serviços prestados.

“O hospital está a rebentar pelas costuras. Profissionais que nos têm contactado estão a fazer um grande esforço, alguns a trabalhar 24 horas seguidas. É triste que este governo, de facto, não tome as medidas necessárias no sentido de evitar isto”, insistiu

Em resposta a estas críticas o presidente do conselho de administração da ULS de Braga, Américo Afonso voltou a questionar a legalidade desta mesma comissão referindo, de resto, que “todos os representante dos utentes e dos profissionais são bem-vindos”.

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José Brás
José Brás

Jornalista na RUM

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