Fim do streaming aberto para reuniões plenárias do Conselho Geral

Reuniões terão streaming restrito à comunidade académica da UMinho, após proposta aprovada por maioria na última reunião realizada no Salão Nobre.
Declarações de Luís Guedes, representante dos estudantes, e Maria Assunção Raimundo, Presidente do CG.

O Conselho Geral (CG) da Universidade do Minho (UMinho) vai deixar de transmitir em direto, no canal de YouTube da UMinho, as reuniões plenárias. “Um retrocesso” na opinião do representante dos estudantes, Luís Guedes, que critica fortemente a proposta apresentada pela Presidente do CG, Maria Assunção Raimundo. A proposta foi aprovada por maioria, na passada sexta-feira, com os votos contra do representante dos alunos, Luís Guedes – que é também presidente da AAUMinho, – além de um representante dos docentes e investigadores, Luís Santos e de dois conselheiros externos: Jorge Wemans e Pedro Gonçalves.

Assim, os próximos plenários serão apenas acessíveis à comunidade académica e o órgão contará com uma reunião pública por ano, a acontecer em junho, aquando da apresentação de contas da instituição, definiu aquele órgão por maioria.

Ouvido pela RUM, Luís Guedes critica a alteração e lamenta que a UMinho, que foi pioneira neste modelo de “transparência”, tenha dado um passo atrás.


“Éramos até este momento o melhor exemplo do modelo de Conselho Geral que existia. O nosso era o modelo mais aberto à comunidade. Todos os interessados podiam assistir às reuniões e do meu entender enquanto representante dos estudantes, esse tipo de transparência trazia uma leveza e trazia algo à nossa Universidade que eu acho que é invejável e que servirá, e deverá continuar a servir, como um bom exemplo para as restantes Universidades do país”, descreveu.

Luís Guedes, Presidente AAUMinho

Explicando como “natural” o seu voto contra, acrescenta que em causa está aquilo que perceciona para o funcionamento do Conselho Geral, além da sua experiência pessoal enquanto conselheiro em que estas reuniões decorreram com streaming em sinal aberto, apenas “fechadas” em situações específicas.

“No meu percurso enquanto conselheiro nunca houve propriamente uma situação em que sentisse que beneficiávamos de ter um modelo que não fosse o modelo que vigorava até então. Não ser totalmente aberto não iria necessariamente beneficiar a qualidade da discussão ou os resultados obtidos pela mesma. Foi efetivamente uma decisão que eu estranhei”, acrescentou.

Antes da discussão e votação, Maria Assunção Raimundo procurou argumentar a posição sobre as reuniões plenárias apontando que será um recato até para o exterior.

“Não conheço nenhuma Universidade a escancarar as suas reuniões ao público em geral. Já procurei, não há. Compreendo que a Universidade do Minho é modelar em muitas coisas, mas esta talvez não seja a mais conveniente para a nossa Universidade. Por uma questão de recato, mas também respeitando a publicidade daquilo que aqui é dito, e esta publicidade são as contas que todos nós temos que dar à comunidade académica em geral, que a publicidade dos plenários em streaming fossem feitos só à comunidade académica. (…) Isto não é uma junta de freguesia, em que as assembleias são abertas à região. Isto é um órgão da nossa Universidade que tem poderes muito próprios e estatutariamente regulados, reúne para dentro e não para fora”, clarificou. Orientando a sua visão pela interpretação do regimento e estatutos da própria Universidade do Minho, Maria Assunção Raimundo assinala, nomeadamente, o facto de a assistência não ter direito à intervenção. “Penso que esta discussão e todas as discussões que nós fazemos aqui não interessará para além da comunidade académica. Penso até que será uma abertura desnecessária. Por isso é que coloco ao plenário a revisão deste procedimento”, prosseguiu.

A visão da própria presidente do Conselho Geral levantou algumas dúvidas de conselheiros, nomeadamente no que ao livre acesso da comunicação social respeita. No decorrer do debate foi sugerido que esse streaming, de acesso restrito à comunidade com endereço de email da instituição, seja feito via Teams.

Coube igualmente à presidente do CG a estruturação do texto da proposta que seguiu depois para votação tendo sido aprovado por maioria.

“As reuniões do plenário passarão a ter comunicação em streaming apenas dirigidas à comunidade académica da Universidade do Minho, sem prejuízo de, caso haja no âmbito do próprio plenário, um evento específico poder ser transmitido para além da Universidade com prévia aprovação do plenário.  Anualmente, e nos termos do Estatuto da Universidade do Minho, a transmissão pública aberta ao público em geral será o plenário em que sejam discutidas e apresentadas as contas consolidadas da Universidade do Minho”.

Ainda não é certo se a nova modalidade será testada na próxima reunião do Conselho Geral.

Partilhe esta notícia
Elsa Moura
Elsa Moura

Diretora de Informação

Deixa-nos uma mensagem

Deixa-nos uma mensagem
Prova que és humano e escreve RUM no campo acima para enviar.
Abel Duarte
NO AR Abel Duarte A seguir: Leitura em dia às 09:45
00:00 / 00:00
aaum aaumtv