Fenprof alerta para falta de professores e critica inércia do Governo

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) acusa o Governo de estar “a empurrar com a barriga” problemas que condenam o futuro do ensino em Portugal. Exige novas medidas, acima de tudo capazes de colmatar a falta de professores e a aproximação de milhares da idade da reforma. Os anúncios foram feitos pelo secretário-geral, Francisco Gonçalves, aquando do arranque de uma caravana da organização sindical.
‘Somos professores e educadores, damos rosto ao futuro!‘. É este o título atribuído à caravana da Federação Nacional dos Professores que vai passar por todo o país, de 19 de fevereiro a 4 de março, para alertar para a falta de professores e, ao mesmo tempo, exigir ao executivo que atue.
Ao longo de 10 dias, a caravana vai percorrer os 18 distritos do continente, chegando a Braga nesta sexta-feira, dia 20, e a Viana do Castelo três dias depois.
Agenda para Braga:
- 8h00 – Vila Nova de Famalicão, Praceta do Mercado;
- 10h30 – Guimarães, Rua do Mercado Municipal;
- 11h00 e 14h00 – Braga, Arcada (Praça da República).
Agenda para Viana do Castelo:
- 8h00 – EB23 Frei Bartolomeu dos Mártires;
- 9h15 – Escola Superior de Educação/IPVC;
- 11h00 – Escola Superior de Tecnologia e Gestão/IPVC;
- 14h00 – ES Monserrate;
- 15h15 – ES Santa Maria Maior.
Na manhã desta quinta-feira, no primeiro dia de manifestações, o dirigente sindical, Francisco Gonçalves, refereiu à Agência Lusa na Praça Pedro Nunes, no Porto, que o principal objetivo das manifestações é alertar para a falta de professores e para a ausência de respostas por parte do Governo.
“Até ao momento, apesar de o ministro da Educação dizer que a valorização do estatuto da carreira do docente é importante, e que para isso há um processo de revisão, não há uma única medida concreta que permita dizer: ‘esta medida é melhor do que as que já existem’.”
Francisco Gonçalves, secretário-geral da Fenprof.
O dirigente sindical defende que, em dois anos com a pasta da Educação, Fernando Alexandre apenas foi ‘empurrando com a barriga’ o problema.
Enquanto isso, a situação piora, defende Francisco Gonçalves, enquanto enumera os principais problemas no ensino em Portugal:
- a falta de professores cresce;
- há mais horários em contratação de escola;
- mais de três mil professores aproximam-se da reforma, com muitos a ultrapassar a idade de aposentação;
- número de alunos em cursos superiores de Ensino é insuficiente.
A Fenprof deu conta, ainda, do aumento do número de alunos sem aulas face ao ano passado, estimando que a falta de professores tenha afetado mais de 158 mil estudantes em janeiro.
Como resposta, o Governo tem feito “nada, ou muito pouco”, lamenta o dirigente sindical. Para mobilizar a população na missão de exigir políticas que garantam professores qualificados, a caravana nacional fez-se, esta quinta-feira, à estrada.
À porta da Escola Secundária Rodrigues de Freitas e do Conservatório de Música do Porto, mais de uma dezena de professores aproveitaram o horário de entrada dos alunos para distribuir postais com a frase ‘Falta professores – e isso sente-se de forma crescente nas escolas e na vida de muitas famílias’, postais esses já preparados para dirigir ao ministro da Educação.
A última paragem está agendada para o dia 4 de março, em Lisboa. Antes disso, a ação reivindicativa vai percorrer nove ilhas dos Açores e oito concelhos da Madeira.
c/Lusa
*editado por Marcelo Hermsdorf
