Fenprof alerta para falta de professores e critica inércia do Governo

Os anúncios foram feitos sob a alçada do arranque de uma caravana da organização sindical. A ação reivindicativa passa por Braga, esta sexta-feira, e Viana do Castelo, no dia 23 fevereiro.
O secretário-geral da Fenprof, Francisco Gonçalves, em declarações à Agência Lusa.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) acusa o Governo de estar “a empurrar com a barriga” problemas que condenam o futuro do ensino em Portugal. Exige novas medidas, acima de tudo capazes de colmatar a falta de professores e a aproximação de milhares da idade da reforma. Os anúncios foram feitos pelo secretário-geral, Francisco Gonçalves, aquando do arranque de uma caravana da organização sindical.

Somos professores e educadores, damos rosto ao futuro!‘. É este o título atribuído à caravana da Federação Nacional dos Professores que vai passar por todo o país, de 19 de fevereiro a 4 de março, para alertar para a falta de professores e, ao mesmo tempo, exigir ao executivo que atue.

Ao longo de 10 dias, a caravana vai percorrer os 18 distritos do continente, chegando a Braga nesta sexta-feira, dia 20, e a Viana do Castelo três dias depois.

Agenda para Braga:

  • 8h00 – Vila Nova de Famalicão, Praceta do Mercado;
  • 10h30 – Guimarães, Rua do Mercado Municipal;
  • 11h00 e 14h00 – Braga, Arcada (Praça da República).

Agenda para Viana do Castelo:

  • 8h00 – EB23 Frei Bartolomeu dos Mártires;
  • 9h15 – Escola Superior de Educação/IPVC;
  • 11h00 – Escola Superior de Tecnologia e Gestão/IPVC;
  • 14h00 – ES Monserrate;
  • 15h15 – ES Santa Maria Maior.

Na manhã desta quinta-feira, no primeiro dia de manifestações, o dirigente sindical, Francisco Gonçalves, refereiu à Agência Lusa na Praça Pedro Nunes, no Porto, que o principal objetivo das manifestações é alertar para a falta de professores e para a ausência de respostas por parte do Governo. 

“Até ao momento, apesar de o ministro da Educação dizer que a valorização do estatuto da carreira do docente é importante, e que para isso há um processo de revisão, não há uma única medida concreta que permita dizer: ‘esta medida é melhor do que as que já existem’.”

Francisco Gonçalves, secretário-geral da Fenprof.

O dirigente sindical defende que, em dois anos com a pasta da Educação, Fernando Alexandre apenas foi ‘empurrando com a barriga’ o problema.

Enquanto isso, a situação piora, defende Francisco Gonçalves, enquanto enumera os principais problemas no ensino em Portugal:

  • a falta de professores cresce;
  • há mais horários em contratação de escola;
  • mais de três mil professores aproximam-se da reforma, com muitos a ultrapassar a idade de aposentação;
  • número de alunos em cursos superiores de Ensino é insuficiente.

A Fenprof deu conta, ainda, do aumento do número de alunos sem aulas face ao ano passado, estimando que a falta de professores tenha afetado mais de 158 mil estudantes em janeiro.

Como resposta, o Governo tem feito “nada, ou muito pouco”, lamenta o dirigente sindical. Para mobilizar a população na missão de exigir políticas que garantam professores qualificados, a caravana nacional fez-se, esta quinta-feira, à estrada.

À porta da Escola Secundária Rodrigues de Freitas e do Conservatório de Música do Porto, mais de uma dezena de professores aproveitaram o horário de entrada dos alunos para distribuir postais com a frase ‘Falta professores – e isso sente-se de forma crescente nas escolas e na vida de muitas famílias’, postais esses já preparados para dirigir ao ministro da Educação.

A última paragem está agendada para o dia 4 de março, em Lisboa. Antes disso, a ação reivindicativa vai percorrer nove ilhas dos Açores e oito concelhos da Madeira.

c/Lusa

*editado por Marcelo Hermsdorf

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David Braga
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