Entre investimento recorde e “trapalhada”, suspensão do BRT marca reunião de Câmara

A suspensão da Linha Vermelha do BRT (Bus Rapid Transit) dominou a reunião de Câmara de Braga desta segunda-feira. A decisão, que interrompe por enquanto o projeto de ligação entre a Estação de Caminhos de Ferro, a Universidade do Minho e o Hospital de Braga, dividiu o presidente João Rodrigues e os vereadores da oposição, poucos dias depois do anúncio público do edil de Braga.
O tema dominou o período de discussão antes da ordem de trabalhos com o autarca João Rodrigues a justificar-se perante os vereadores da oposição que, ainda assim, não deixaram de manifestar satisfação pelo anúncio relativo à construção da circular rodoviária externa.
O autarca social democrata reafirmou que a“suspensão” do BRT não é uma perda, mas sim uma mudança de prioridade para garantir investimentos “históricos do Governo em Braga”. O autarca reiterou que o dinheiro obtido através do Plano de Recuperação e Resiliência “não foi deitado fora” e que o foco agora é a Circular Rodoviária Externa, e a futura ligação BRT a Guimarães e à Alta Velocidade.
Com uma estratégia enaltecida como “win-win”, João Rodrigues ressaltou que conseguiu junto do governo central liderado por Luís Montenegro um investimento de 80ME para a Circular Rodoviária Externa de Braga, “um montante que não se há memória na questão da mobilidade” neste concelho. “Tinha estabelecido como grandes prioridades deste mandato a mobilidade e a habitação, dois dos grandes investimentos que ficaram decididos em menos de 90 dias”, apontando este apoio e a aprovação do Plano Diretor Municipal no começo de janeiro.
“Perdeu-se a vontade, o financiamento e perdeu-se a estratégia de mobilidade para a cidade de Braga” – ASB
Do lado da oposição, a crítica mais forte voltou a ficar na voz de Ricardo Silva, do movimento independente Amar e Servir Braga (ASB). O vereador afirmou que o projeto eleitoral de João Rodrigues da implementação da linha vermelha, “morreu” e questionou como se abdicam de 76 milhões de euros de financiamento garantido pelo PRR “a troco de nada”. “Perdeu-se a vontade, o financiamento e perdeu-se a estratégia de mobilidade para a cidade de Braga”, apontou.
O independente sublinhou ainda que a obtenção do investimento para a Circular Externa e para a linha de ligação de BRT a Guimarães não anula o montante perdido para o metrobus dentro do concelho. Para Ricardo Silva, “são coisas completamente diferentes”.
Já Pedro Sousa, do PS, saudou o apoio do Governo nesta nova rota, uma obra que diz ser “fundamental” para retirar o trânsito pesado das zonas mais pressionadas do concelho. Sobre o BRT, recordou que o partido alertou durante a campanha eleitoral que esta solução não “iria retirar um dos problemas maiores relacionados com o trânsito em Braga.
“Uma boa notícia e uma trapalhada”, foi assim que Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, descreveu o anúncio de João Rodrigues sobre o investimento na Circular Externo e a suspensão de “uma promessa eleitoral defendida com extrema veemência, até com acutilância relativamente às oposições que não tinham entusiasmo pelo BRT dentro do perímetro urbano”. Agora, o vereador liberal quer conhecer as consequências deste “adiamento ou da anulação”.
Algo que também é parte das preocupações do vereador Filipe Aguiar, do Chega, que considerou positiva a reversão da obra, acreditando que o BRT criaria o “caos” e não retiraria carros da via. No entanto, alertou para a falta de transparência sobre os valores das indemnizações que a Câmara terá de pagar às empresas com contratos já firmados.
Na semana transata e fruto deste anúncio público do executivo municipal de Braga, o próprio reitor da UMinho, Pedro Arezes, assumiu um certo “alívio” com o adiamento de uma obra que colocaria o campus de Gualtar no centro da intervenção já que o troço principal da linha vermelha está previsto para a passagem pelo interior da instituição de ensino superior.
