Entre a visita oficial e a reabertura adiada, Museu da Imagem continua trancado

As portas do emblemático Museu da Imagem, em Braga, continuam trancadas, apesar de o espaço ter recebido uma visita oficial do anterior presidente da Câmara, Ricardo Rio, a 31 de outubro de 2025, para assinalar a conclusão das obras de requalificação.
O impasse no equipamento cultural foi tema em destaque na reunião do executivo, com as forças da oposição a exigirem respostas. O atual autarca bracarense, João Rodrigues, esclareceu que os trabalhos só agora estão na reta final e demarcou-se totalmente da “inauguração” do ano passado.

Iniciativa Liberal critica falta de planeamento e atrasos
O impasse gerou contestação por parte de Rui Rocha, da Iniciativa Liberal (IL). Em declarações aos jornalistas no final da reunião quinzenal do executivo, o vereador não escondeu a perplexidade com o facto de um equipamento ter sido dado como pronto sem reunir as condições para operar.
Para a IL, a confirmação de que os trabalhos só terminaram em abril agrava o cenário, uma vez que a autarquia teve meses para planear a vertente cultural do espaço e não o fez, deixando a reabertura sem data definida. O liberal considera que este caso ilustra uma forma de atuar recorrente na gestão municipal bracarense.
“Se a obra esteve tanto tempo para ser concluída, não foi concluída em outubro, foi em abril, então também se poderia ter aproveitado esse tempo para preparar a sua abertura, a programação e a direção. Aparentemente, sobre isso, também não há notícias. Mais uma vez, prometer como nunca, adiar como sempre.”
Rui Rocha, vereador eleito pela Iniciativa Liberal
Partido Socialista sublinha “contornos rocambolescos” do processo
A apreensão foi partilhada pelo Partido Socialista (PS). O vereador Pedro Sousa classificou o desenrolar deste processo como algo com “contornos rocambolescos”, lembrando a importância histórica do museu para a dinâmica cultural do concelho, fechado desde 2019.
O socialista frisou que o espaço guarda o acervo de duas das mais antigas casas de fotografia da cidade (no caso, a Foto Aliança e a Casa Pelicano) e que a criação de falsas expectativas na comunidade, materializada numa inauguração de um espaço que não abriu, exige esclarecimentos claros.
“[O Museu da Imagem] foi durante muito tempo peça importante daquilo que era o projeto cultural da cidade, um espaço onde existe um acervo muito importante de duas casas de fotografia históricas do concelho. Quando vemos um espaço destes ser inaugurado mas, de facto, não ter a sua abertura concretizada, é algo que não pode deixar de nos suscitar, pelo menos, curiosidade.”
Pedro Sousa, vereador eleito pelo Partido Socialista
Autarca demarca-se de inauguração e recusa definir prazos
Confrontado com as críticas, João Rodrigues foi taxativo a rejeitar qualquer responsabilidade na cerimónia do passado mês de outubro, ainda durante o mandato do seu antecessor. O atual chefe do executivo municipal assumiu que não esteve presente no evento e que soube do mesmo pela comunicação social, focando-se no estado real do edifício.
O presidente da câmara clarificou que o sistema de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado (AVAC) só foi finalizado no início deste mês. Recusando comprometer-se com um calendário específico, garantiu apenas que a verdadeira inauguração acontecerá quando todas as condições físicas e culturais estiverem reunidas.
“Quando a programação estiver pronta, o Museu da Imagem vai ser inaugurado. Eu nunca inaugurei museu nenhum. Neste momento, tenho uma empreitada, quando acabar a empreitada, aí sim, a obra deve ser inaugurada. Não fui contra a primeira inauguração, nem lá estive, soube pelos jornais.”
João Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Braga
Um investimento de meio milhão de euros à espera de luz verde
Encerrado desde 2019 devido a graves problemas estruturais, sobretudo infiltrações, falhas no isolamento térmico e degradação das coberturas, o edifício que alberga o Museu da Imagem foi alvo de uma empreitada superior a 500 mil euros. A intervenção visou a modernização integral, o restauro de cantarias e caixilharias, e a melhoria dos espaços técnicos para garantir a preservação do sensível acervo fotográfico e audiovisual.
Inscrito num conjunto edificado que une uma casa do século XIX à Torre de Menagem da antiga muralha medieval bracarense, o equipamento aguarda agora o fecho definitivo dos detalhes técnicos e a definição do programa cultural para voltar a integrar o circuito de fruição da cidade.





