Encontro Nacional da EVA Reflete sobre o Sofrimento Major e a Vivência das Equipas

Braga acolheu o segundo encontro nacional da Enfermaria de Vigilância Avançada (EVA), com debates e palestras que visam assinalar e perspetivar a intervenção da EVA, que além do apoio físico, atenta no impacto emocional nos doentes.
Ivo Ribeiro, enfermeiro gestor da unidade, moderou a sessão de abertura, que teve lugar no Centro da Juventude, em Braga, esta sexta-feira. No discurso, abordou o tema das jornadas: ‘Sofrimentos Major no Doente Crítico’, que manifesta as dificuldades emocionais sentidas pelo doente e pela sua família.
Por esse motivo, sublinhou que quando se fala em “sofrimento major”, fala-se de algo que vai muito além da instabilidade fisiológica, envolvendo “medo, incertezas, perda do controlo e do impacto e que isso tem não só para o doente, mas também para a família”.
Para quem trabalha em cuidados intermédios, acrescentou, há uma ideia essencial: “nem tudo o que importa é mensurável, e nem tudo o que é mensurável responde àquilo que o doente realmente precisa”.
Esta necessidade também é partilhada por Paulo Gouveia, diretor do Serviço de Medicina Interna da Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga. Para o gestor, este encontro tem como objetivo refletir e partilhar experiências de quem atua diariamente junto do doente clínico.
Os médicos e enfermeiros são “chamados não apenas a fazer diagnósticos, mas a reconhecer e mitigar o sofrimento” com competência científica e sensibilidade humana “onde o conhecimento científico se cruza com a prática clínica e com a vivência real das equipas que, diariamente, trabalham junto do doente crítico”.
A vertente política e estrutural do sistema de saúde foi trazida por Miguel Vasconcelos, presidente da Secção Norte da Ordem dos Enfermeiros. Aproveitou a proximidade da celebração dos 52 anos do 25 de Abril, para questionar se o sistema atual realmente cumpre o que foi imaginado quando se consagrou o direito à saúde, alertando que “falar de saúde não pode ser apenas falar no momento agudo”.
O responsável apontou falhas graves de acesso, integração e decisão, afirmando que é preciso coragem para admitir que muitos doentes chegam ao estado crítico porque o sistema falhou anteriormente.
