Docente da EEG vence Prémio João Monjardino com investigação sobre a resiliência dos serviços de saúde

O vencedor do Prémio João Monjardino 2025 é da Universidade do Minho (UMinho). Marco Paschoalotto, professor da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política (EEG), foi distinguido por lançar uma questão: estará na altura de revisitarmos a resiliência depois da pandemia da Covid-19?
Trata-se de uma distinção atribuída pela Fundação Francisco Pulido Valente e a Fundação para a Ciência e a Tecnologia a investigadores, com menos de 35 anos, que desenvolvam um estudo na área da Saúde Pública e Políticas de Saúde. É, também, atribuída uma bolsa de dez mil euros ao laureado.
A resposta do investigador à pergunta que guia o seu artigo científico é positiva. Paschoalotto sugere dois modelos para avaliar a capacidade de resposta dos sistemas de saúde. Um deles propõe uma análise cíclica dividida em quatro etapas: preparação, choque, recuperação e aprendizagem.
Este modelo avança com o intuito de colmatar a ocorrência de várias crises ao mesmo tempo. O docente da EEG dá o exemplo do período pós-pandemia, que coincidiu com o arranque da Guerra na Ucrânia, para assinalar a necessidade de estudar a resiliência dos sistemas de saúde de forma recorrente.
A segunda proposta atenta nas diferenças nos contextos de diferentes países e propõe que cada um olha para as necessidades do seu sistema de saúde. A lógica será “sair de modelos generalistas” e analisar especificidades de cada nação.
O investigador revela que este artigo não procura avaliar a qualidade dos serviços de saúde internacionais, mas fornece, antes, formas de o fazer. “Diversos relatórios técnicos de todo o mundo recorreram em todo o mundo”, para gerar recomendações para um melhor apoio a prestar à sociedade.
Paschoalloto garante, ainda, que, com este trabalho, pretende gerar “um senso comum” sobre como avaliar sistemas de saúde.
A investigação vem colmatar a falta de uma análise aprofundada do tema da resiliência nos sistemas de saúde. Apesar de existiram alguns estudos no mundo, estes centram-se na crise financeira pela qual a União Europeia passou depois da pandemia
O próprio termo, garante Marco Paschoalotto, não era consensual na comunidade científica.
“Entre os practitioners (ministros, secretários de saúde e a comunidade científica), existia uma briga: ‘Será que nós devemos usar esse termo? Será que está avançado o suficiente?’ Foi por isso que foi feita essa investigação.”
Marco Paschoalotto, vencedor do Prémio João Monjardino 2025 e docente da UMinho
A cerimónia de entrega terá lugar no auditório B1 do edifício 2 do campus de Gualtar, em Braga, com data ainda por definir. A sessão contará com um debate sobre a aplicabilidade dos modelos propostas nesta investigação para o contexto português.
