Dia Nacional dos Centros Históricos em Braga. Um ensaio para alargar a zona pedonal?

A celebração do Dia Nacional dos Centros Históricos, assinalada a 28 e 29 de março com o programa "Memória do Lugar", lançou o debate sobre a mobilidade no núcleo urbano. No programa 'Praça do Município', os comentadores sugeriram aproveitar a data para testar, na prática, o alargamento da zona pedonal.
A opinião dos comentadores do 'Praça do Município':

Braga prepara-se para viver o seu património de forma imersiva este fim de semana, com atividades que cruzam a arte, as ruas e a memória da cidade. A pretexto da efeméride, o painel do programa ‘Praça do Município‘ lançou um repto claro ao executivo bracarense: utilizar as comemorações como um ensaio real e provisório para encerrar mais artérias do centro histórico ao trânsito automóvel, devolvendo o espaço público aos peões.


O debate: Um ensaio para alargar a zona pedonal

O arranque das festividades em torno do núcleo central da cidade serviu de ponto de partida para discutir a mobilidade. Para António Lima, as iniciativas previstas deveriam ser acompanhadas de uma ação prática no terreno. O comentador sugere a interdição temporária de vias que não são vitais para a rede viária, por forma a libertar a zona para quem circula a pé.

“O que eu sugeriria é que de facto estas comemorações, estes eventos, fossem servindo para numa espécie de experimentação nesses dias encerrar algumas das ruas do centro histórico que ainda têm trânsito e que não se mostram de forma alguma essenciais para a circulação urbana, fossem pelo menos nesses dias e a título experimental, encerradas ao trânsito de automóveis e de veículos a motor e fossem reservados para os cidadãos.”

António Lima
A sugestão de encerramento experimental de vias no centro histórico durante as comemorações

A ideia de aproveitar a efeméride para ensaiar uma área pedonal mais alargada encontrou eco nas palavras de João Granja. O comentador recordou que a restrição progressiva da circulação automóvel é um desígnio do atual executivo municipal, defendendo que uma experiência-piloto ajudaria a população a adaptar-se à medida sem grandes sobressaltos.

“É público e sabido que esse é um compromisso do João Rodrigues, era um compromisso eleitoral, faz parte do seu programa eleitoral, faz parte do plano de atividades e eu sei que estão a estudar como é que esse progressivo aumento da zona pedonal se poderá verificar sem afetar grandemente o trânsito da cidade. Havendo boa vontade pode já fazer-se uma experiência e sobretudo acho que é uma aproximação sem ser uma solução radical permite às pessoas irem-se habituando à ideia.”

João Granja
O apoio à criação de uma experiência-piloto para preparar a população para a expansão pedonal
O painel do programa ‘Praça do Município’ (Foto: Marcelo Hermsdorf / RUM)

Apesar da concordância geral sobre a necessidade de atenuar a pressão dos carros no centro, Jorge Cruz focou a sua intervenção na resolução dos problemas já existentes na atual zona interdita a viaturas. O comentador apontou o dedo à degradação do pavimento e exigiu uma fiscalização rigorosa aos abusos diários cometidos por carrinhas de logística.

“Havendo ou não alargamento, acho que o município tem que cuidar mais das zonas pedonais de Braga. Algumas das artérias não estão em bom estado, provocam frequentemente quedas, provocam poças de água quando chove. Por outro lado, também tem que ter em atenção a questão da fiscalização dos horários de entradas e saídas de viaturas para cargas e descargas, porque também há uma grande confusão que paira na cidade. Há locais onde estão viaturas estacionadas e estão a invadir zonas de peões.”

Jorge Cruz
O alerta para a manutenção do piso e para o estacionamento abusivo em zonas exclusivas a peões

O programa “Memória do Lugar”

A par da discussão política que marca a agenda, a cidade avança com o programa “Memória do Lugar”. No sábado, dia 28 de março, as atividades começam às 15h00 com a “Orientação no Centro Histórico” , desafiando o público a usar a aplicação iOrienteering para descobrir os motivos decorativos da calçada portuguesa. Em simultâneo, decorre a oficina “Fotografia Revisitada”, que convida os participantes a refotografar a cidade com base em antigas imagens de arquivo.

Pelas 17h00, o Salão Nobre da Câmara Municipal de Braga acolhe o momento de debate do programa oficial: a conversa “O Centro Histórico Bracarense: da origem à contemporaneidade”. A sessão reúne os oradores Maria do Carmo Ribeiro e José Pedro Cortes Lopes para refletir sobre a evolução do espaço público e da arqueologia urbana.

A fechar o cartaz, no domingo, dia 29 de março, pelas 10h00, a iniciativa “Rostos que Falam” centra atenções no Jardim da Avenida Central. A atividade cruza património e arte, explorando os bustos através de escuta atenta e de uma oficina artística.

O ‘Praça do Município’ está disponível em podcast.

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Ariana Azevedo
Ariana Azevedo

Jornalista na RUM

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