Dérbi minhoto: Peixoto quer ultrapassagem com “pressão positiva”, Vicens mete as decisões no “liquidificador”

É um jogo com vista privilegiada para a Europa. O Gil Vicente (5.º, 37 pontos) recebe este sábado o SC Braga (4.º, 39 pontos) no Cidade de Barcelos (20h30), num encontro que promete agitar as contas da frente da I Liga. Se vencerem, os gilistas ultrapassam o rival minhoto. Se os arsenalistas triunfarem, cavam um fosso de cinco pontos, solidificando a posição europeia.
A “pressão positiva” de Barcelos
A jogar em casa, César Peixoto foi o primeiro a lançar o mote. O treinador do Gil Vicente recusa ver a possibilidade de ultrapassagem como um fardo, preferindo encarar o duelo como uma oportunidade de ouro. Peixoto admite que a equipa já sentiu o peso do 4.º lugar no passado, mas garante que a mentalidade mudou.
“Não vejo a pressão negativa, vejo sim uma pressão positiva. É uma motivação extra ter um jogo, em que estamos em 5.º, contra o 4.º classificado. Podemos passá-los. Já não vejo o grupo a ter o peso que já teve no passado, porque era uma equipa que, não nos podemos esquecer, quando cá cheguei estava nos lugares para descer de divisão.”
O técnico gilista aproveitou ainda para elogiar a “simbiose” crescente entre equipa e bancada, recordando o último jogo contra o Moreirense.

“Num dia chuvoso, a quantidade de adeptos que tivemos foi fantástica. Empurraram-nos para a vitória. O clube crescer sem adeptos não é a mesma coisa.”
César Peixoto
O “liquidificador” de Vicens e a recusa da “Final”
Do lado dos arsenalistas, Carlos Vicens rejeitou colar o rótulo de “final” ao jogo. “O título do jogo… não vou dar um título porque não me interessa. Interessa-me que a equipa tenha que enfrentar o jogo fazendo as coisas muito bem”, atirou.
Questionado sobre se este é o melhor onze da temporada, Vicens usou uma metáfora curiosa para explicar a sua gestão, agora que tem o plantel quase na máxima força (com o regresso de Dorgeles):
“Eu olho para o nosso jogo anterior, tento ver o máximo de jogos do rival, vejo como os miúdos treinam e o que eu sinto. Coloco tudo isso no ‘liquidificador’ [mixer] e acabo por decidir. Se me perguntas se este é o nível máximo? Diria que não. O melhor ainda está por chegar.”
Apesar de o SC Braga ser a equipa com mais pontos em 2026 (a par do Benfica), Vicens garante que a equipa ainda não está no topo das suas capacidades.

“Se me perguntas se este é o nível máximo a que quero ver a minha equipa? Diria que não. Tenho a ilusão, a confiança e a energia para continuar a trabalhar com estes miúdos para que ainda vejamos jogos melhores do que os que já vimos. Se me perguntas, creio que o melhor ainda está por chegar.”
Carlos Vicens
Dados do Dérbi
Baixas: O SC Braga não conta com os lesionados Niakaté, Jónatas Noro, El Ouazzani e Gorby. Do lado do Gil Vicente, o reforço Héctor Hernández ainda procura a melhor forma física.
Muralha (SC Braga): Os arsenalistas perseguem um recorde histórico: vêm de seis jogos consecutivos sem sofrer golos. Se não sofrerem em Barcelos, atingem a marca de sete jogos seguidos a “zeros”.
Embalo (Gil Vicente): A equipa de César Peixoto atravessa o seu melhor momento, chegando a este dérbi motivada por duas vitórias consecutivas convincentes no campeonato.
Novidade (SC Braga): O regresso de Mario Dorgeles é a grande notícia na lista de Vicens. O extremo é visto como o ‘abre-latas’ ideal para desmontar a defesa gilista com a sua verticalidade.
Vida Nova (Gil Vicente): Após as vendas influentes do guarda-redes Andrew e do goleador Pablo em janeiro, os “galos” apostam tudo na força do coletivo e no jogo exterior para ferir o rival, com Félix Correia e Murilo em destaque nas faixas.
