Dérbi de fogo no Minho: Carlos Vicens rejeita romantismo, Luís Pinto quer usar a emoção como arma

O Minho para esta jornada para o duelo mais apaixonante do futebol português. O Dérbi do Minho coloca frente a frente dois rivais em momentos distintos, mas com a ambição de sempre. Carlos Vicens, voz de comando dos arsenalistas, assume a urgência de limpar a imagem deixada na última jornada e dar uma vitória aos adeptos. Já do lado dos Conquistadores, Luís Pinto aposta em desconstruir a organização do rival através da intensidade emocional que só um jogo destes proporciona.
Carlos Vicens: Acabou o romantismo, é hora de não conceder

Para o treinador da casa, o jogo deste sábado é mais importante porque, como habitualmente refere, “é o próximo”, mas Vicens sabe das emoções que o encontro desperta fora das quatro linhas. Para o maiorquino, é preciso dar uma resposta resposta imediata perante os adeptos. Para isso, exige uma equipa “aguerrida” desde o primeiro minuto.
“Não os vamos defrontar a pensar no que condicionou os jogos anteriores, mas sim a pensar que temos de melhorar o nosso rendimento. Amanhã é sair para o jogo, sair para ganhar, sair para dar uma alegria à nossa massa associativa. Queremos uma equipa competitiva, aguerrida.”
Confrontado com as críticas de que o SC Braga pratica um futebol atrativo mas pouco eficaz nos jogos grandes (o chamado “futebol romântico”), o técnico espanhol foi categórico: o problema não é o estilo, é a falta de concentração defensiva que não pode acontecer.
“Achas que não marcar golos quando geras ocasiões é romantismo? Onde temos desvantagem é na parte defensiva: temos de encaixar menos. Não pode haver deslizes deste tipo, porque estamos a falar de futebol de alto nível. Um dia terás mais acerto, marcas mais golos; se um dia tens de ganhar apenas por um golo de vantagem, ganhas, mas senhores: não conceder.”
Luís Pinto: A dicotomia entre a táctica e a emoção

Em Guimarães, a receita para o triunfo passa por compreender a natureza caótica do dérbi. O treinador vitoriano, Luís Pinto, acredita que a história fica à porta do estádio e que o foco total está na “paixão” dos 90 minutos.
“Esperamos um jogo, obviamente, com tudo aquilo que um dérbi deve ter: com emoção, com paixão, com duas equipas a querer ganhar. Acredito que não haja algo que ponha o passado para trás, porque os dérbies são isto mesmo: é focar naquilo que naquele dia se disputa.”
Analisando o adversário, Pinto reconhece que o SC Braga está mais forte e organizado do que no último encontro. Contudo, a estratégia dos vitorianos passa por usar a pressão do ambiente para fazer “tremer” a estrutura arsenalista e capitalizar os momentos de domínio.
“Julgo que, por ser um dérbi, alguns desses fatores em que eles se foram tornando mais fortes – porque o processo do Braga evoluiu – podem ficar um bocadinho diluídos pela emoção do jogo e nós queremos utilizar isso obviamente em nosso favor. Sabemos capitalizar os momentos em que nós estaremos no domínio e saber fazer passar os momentos em que nós não estaremos.”
Está lançado o mote para um dos jogos mais quentes da temporada. Com oito pontos a separar os dois emblemas na tabela classificativa, o Dérbi do Minho promete ser, como sempre, um campeonato à parte dentro da própria liga.
SC Braga, quinto classificado, com 39 pontos, e Vitória SC, oitavo, com 31, jogam este sábado no Estádio Municipal de Braga, a partir das 20h30, com arbitragem do também minhoto João Pinheiro. Num encontro que é muito mais do que as quatro linhas, resta saber quem levará a melhor: o pragmatismo e a organização pedidas por Carlos Vicens, ou a emoção e a paixão invocadas por Luís Pinto.
