De Limiar em Limiar o Presente Frágil: ‘Quando Vem a Taciturna’ estreia-se no palco do GUIdance

Luz, sombra, música e silêncio. Sara Miguelote, Lucia Marrodan, Ethel Desdames e Marta Pieczul dançam entre limiares – entre ser e não-ser, desejo e vazio, vida e morte. A nova criação de Joana von Mayer Trindade e Hugo Calhim Cristóvão, ‘Quando Vem a Taciturna de Limiar em Limiar o Presente Frágil’, sobe ao palco do pequeno auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), este sábado, pelas 18h00, no último dia do GUIdance – Festival Internacional de Dança Contemporânea.
Fruto de um projeto de dois anos, a criação foca na dança e filosofia e no projeto de Nuisis Zobop, ‘Raízes e Horizontes do Presente Frágil’, oespetáculo propõe um mergulho na fragilidade do corpo e do tempo.
Invoca diversas fontes literárias e mitológicas, como o poema de Paul Celan, ‘Canção de uma Dama na Sombra, que dá nome à peça e “representa passado, presente e futuro”.

“De algo de assombro, de algo de passado, presente e futuro, como é que isso carrega em si uma sabedoria que nos permite uma transformação e uma aprendizagem”
— Joana von Mayer Trindade
Com uma sonoplastia que inclui a música de Jacqueline du Pré “uma violoncelista brilhante que teve uma doença degenerativa e começou a perder a sensibilidade na ponta dos dedos”, mas que continuou a tocar, destaca Hugo Calhim Cristóvão, a música, revela, apareceu tarde na produção, mas tornou-se algo “importante”, além do silêncio, que toma partes da apresentação.

O espetáculo, alerta, “não tem cenas, é contínuo”, onde cada uma das bailarinas “percorre uma estrutura e uma partitura definida até ao fim”.
Num mundo assoberbado por incertezas, o corpo afirma-se como o último reduto de resposta e criação. A expetativa para os responsáveis pela associação cultural Nuisis Zobop e criadores do espetáculo, querem que “se crie qualquer alguma relação qualquer entre aquele material e as pessoas que estiverem a presenciar, que crie uma ressonância”, segundo Hugo Calhim Cristóvão.
A entrega das bailarinas, numa performance visceral e com movimento constantes, cria uma “coisa vibracional”, que liga ao mote do espetáculo: a fragilidade. “Tem qualquer coisa que não está contido em palavras, em discursos, qualquer coisa que nos acompanhe, mas das quais nós não conseguimos falar muito bem, pensar muito bem, que nos põe num local de vulnerabilidade”, remata.



