Da agenda à criatividade: Como Pedro Arezes e Luís Guedes usam a IA para ganhar tempo

A Inteligência Artificial (IA) entrou definitivamente na rotina do Largo do Paço e da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUMinho). Ouvidos pela RUM, Pedro Arezes e Luís Guedes rejeitam a ideia de uma academia resistente à inovação.
Para o reitor da Universidade do Minho, a questão é de princípio: uma instituição que opera na fronteira do conhecimento tem a obrigação de acompanhar a evolução tecnológica. Pedro Arezes admite que ignorar estas novas ferramentas seria um erro estratégico.
“Uma universidade, que é um sítio por definição em que o conhecimento está na sua fronteira, não podia estar, obviamente, de costas voltadas. Aliás, reconheço publicamente que é um erro pensar que podemos evitar estas novas ferramentas ou até o conceito. A UMinho tem de fazer uso transversal destas tecnologias.”
Pedro Arezes
Do lado dos estudantes, a adaptação tem sido rápida. Luís Guedes, presidente da AAUMinho, garante que a comunidade estudantil está a “surfar a onda” com pragmatismo. Para o dirigente, o recurso à IA não deve ser confundido com preguiça, mas sim com uma capacidade de adaptação ao que o futuro exige.
“O corpo estudantil sendo dos que está a surfar desde cedo esta onda da inteligência artificial não por preguiça, mas por adaptabilidade e por capacidade de prever o que é que será útil no futuro, utilizamos muito.”
Luís Guedes
Mas como se traduz isto na prática? Na reitoria, a IA tornou-se um “braço direito” polivalente. Pedro Arezes admite que a tecnologia é essencial para gerir uma agenda complexa, mas o seu uso estende-se à produção de conteúdos: desde a resposta a e-mails até à redação de documentos mais formais, como ofícios e discursos.
Na AAUMinho, o foco está na eficiência processual. A estrutura tem investido na formação dos seus funcionários para automatizar tarefas repetitivas. O objetivo, segundo Luís Guedes, é “limpar” a burocracia para que as equipas se possam dedicar a tarefas mais exigentes e criativas.
“Simplificar a burocracia, processos, automatizar coisas até que possam neste momento prender pessoas com tarefas mundanas e que são repetitivas e desnecessárias, que podem ser automatizadas por inteligência artificial e libertar essas pessoas para outro tipo de coisas mais criativas.”
Luís Guedes
Para lá da gestão, a tecnologia também entra nos momentos de descontração. Pedro Arezes revela, com humor, que a IA já serve para criar momentos de lazer entre a equipa reitoral, assumindo-se como um “fervoroso” adepto destas funcionalidades.
A “consultoria” digital estende-se à vida pessoal. Luís Guedes não esconde que a versatilidade da ferramenta serve para “desbloquear” o pensamento em assuntos mundanos, admitindo que recorre à IA até para escolher “prendas para um tio” quando a “preguiça” aperta.
Ambos os responsáveis concordam que o caminho passa pela regulação e pela ética, sublinhando que a universidade terá de reinventar os seus modelos de avaliação para garantir a integridade académica num mundo onde a IA veio para ficar.
