‘Confio em ti para cuidares da minha história’ une estudantes e moradores de bairros sociais em palco

E se entregasses a tua história aos cuidados de outra pessoa? É esta pergunta que o projeto COMvivência(s) coloca em palco esta quinta-feira, no Auditório Nobre do Campus de Azurém, em Guimarães, a partir das 19h00.
‘Confio em ti para cuidares da minha história’ é o resultado de um encontro improvável entre estudantes de medicina da Universidade do Minho (UMinho), moradores de bairros sociais da Coordenação de Âmbito Social e Financeiro das Habitações do Município de Guimarães (CASFIG) e utentes do Centro de Acolhimento de Emergência Social (CAES), da Cruz Vermelha.
No total, em palco, são 20 ‘atores’ que para além do espetáculo contam as suas histórias, sem precisar falar. A diretora artística do projeto, Manuela Ferreira, sublinha que o desafio foi “cruzar pessoas de contextos diferentes, com percursos diferentes, histórias de vida diferentes, e colocá-las em conjunto a trabalhar, a partir do exercício do teatro e da prática teatral”.
O resultado sai da ficção e cria sentido em quem participa do projeto. Carlota Rocha, uma das moradoras dos bairros sociais geridos pela Casfig, diz sentir-se mais “nova a fazer estas coisas” e, especialmente, nas “épocas mais baixas” estar neste grupo ajuda “a esquecer a mágoa que traz dentro de si”. “Para mim auxilia muito. As pessoas dizem: ‘Ai, você estava tão bonita, ai, você faz as coisas tão bem’”, confidencia.

Já João Esteves, utenteda CAES, aponta que “nunca tinha feito nada disto, nem teatro, nem caras feias para ninguém”, brinca. A rotina de ensaios, que se intensificou nas semanas que antecedem a estreia, confessa, tem sido “muito cansativa”.
O projeto que está na segunda edição “tem sido muito positivo também em termos de desenvolvimento da saúde mental das pessoas, com uma melhoria significativa ao nível da sua autoestima, da forma como se apresentam e como agem”, sublinha Carla Silva, coordenadora social do projeto. A iniciativa, ressalta a responsável, permite às pessoas que participam apresentarem as suas histórias “muitas vezes de discriminação e de abusos, e que tenham voz, ganhem alguma forma e faz com que elas sejam ouvidas”.
Os estudantes de medicina da UMinho também participam da iniciativa, para permitir terem “contacto com realidades diferentes”. Uma das participantes, Maria Teresa Pinto, que está no segundo ano do curso, soube do projeto “através dos testemunhos de anos passados” e achou a ideia “superinteressante por esta relação tão próxima com as pessoas”. “(Os utentes) precisam de nós de uma forma, se calhar, não tão médica, mas acaba por ser médica na mesma”, refere.





