CENTI celebra 20 anos com 15ME de atividade anual e foco na sustentabilidade

Criado há 20 anos com uma aposta pioneira nas nanotecnologias e nos materiais inteligentes, o CENTI consolidou-se como uma das principais infraestruturas tecnológicas do país na área dos materiais.
O balanço é feito por António Braz Costa à RUM, ele que destaca a visão e a ousadia que estiveram na origem do projeto, numa altura em que “a palavra nanotecnologia era completamente desconhecida”.
O CeNTI – Centro de Nanotecnologia e Materiais Técnicos, Funcionais e Inteligentes é um Centro de Tecnologia e Inovação (CTI), reconhecido pela ANI – Agência Nacional de Inovação, privado, sem fins lucrativos, de orientação multissetorial e multidisciplinar, equipado com a mais avançada tecnologia. A UMinho, assinale-se, é um dos grandes parceiros.

“Vinte anos depois, a visão concretizou-se”, começa por assinalar o responsável, sublinhando que o centro sediado em Vila Nova de Famalicão “está consolidado em termos de dimensão, atividade e continuidade”, mantendo o foco nas tecnologias de materiais, nas nanotecnologias e nos materiais inteligentes.
Apesar da evolução, António Braz Costa considera que duas décadas “é muito pouco” para criar uma estrutura robusta de ciência e tecnologia, apontando as dificuldades de planeamento provocadas pela instabilidade das políticas públicas de apoio à investigação. Ainda assim, considera evidente que a aposta feita no arranque do projeto “fazia sentido”, algo que diz refletir-se na infraestrutura tecnológica criada, na equipa reunida e nos resultados alcançados junto da economia.
Hoje, o CENTI movimenta entre 10 e 15ME anuais e conta com uma equipa que oscila entre 200 e 250 investigadores. Muitos passam pelo centro antes de integrarem empresas, algo que o responsável considera um sinal positivo da transferência de conhecimento para o tecido económico.
Outro dos indicadores destacados prende-se com a inovação e a propriedade industrial. António Braz Costa refere que o CENTI tem estado “entre o top 5 e o top 10 das entidades que registam patentes em Portugal”, resultado de uma estratégia contínua de proteção internacional da inovação desenvolvida no centro.
“Os desenvolvimentos feitos devem ser protegidos internacionalmente”, afirma, defendendo que o registo de patentes é essencial não só para salvaguardar os direitos do CENTI, mas também os investimentos das empresas parceiras. Parte das inovações acaba mesmo registada diretamente em nome das empresas clientes, números que, segundo explica, nem sequer entram nas estatísticas oficiais do centro.
O responsável acredita que os próximos anos irão reforçar ainda mais a importância estratégica dos materiais. A crescente competição global pelos recursos naturais, a mobilidade elétrica e a produção de baterias são alguns dos exemplos apontados para justificar a relevância do setor.

“Os materiais hoje são o grande argumento de competitividade”, sustenta, apontando o domínio tecnológico em áreas como o lítio, o cobalto e as terras raras como decisivo para a economia mundial.
Ao mesmo tempo, defende que a sustentabilidade será uma das grandes forças da próxima década. Para António Braz Costa, não basta exigir hábitos de consumo mais sustentáveis aos consumidores sem desenvolver tecnologias que permitam produzir materiais e produtos de forma ambientalmente responsável.
Da reciclagem de baterias ao reaproveitamento de componentes eletrónicos, passando pelos setores têxtil e do calçado, o responsável considera que a transformação sustentável dos materiais será central no futuro da indústria.
“O domínio das tecnologias de transformação dos materiais não perdeu força e diria até que nos próximos anos vai ter ainda mais importância”, conclui.
