Centenário do golpe militar de 1926 deveria servir como momento de reflexão

Faz hoje 100 anos do golpe militar que, encabeçado pelo general Manuel Gomes da Costa, saído de Braga, derrubou a I República Portuguesa e abriu caminho para uma ditadura militar que instaurou, mais tarde, o Estado Novo. Na cidade, a data foi assinalada com um protesto antifascista que tapou a estátua do militar, instalada no Largo do Pópulo desde 1966, e expôs um cartaz onde se lia ‘Aqui jaz o fascismo português. Não deixaremos que ressuscite’.
Uma ação que o bracarólogo Rui Ferreira vê como contraproducente considerando que o momento poderia ser usado para refletir sobre o contexto histórico da altura.
“Acontecimentos fazem parte da história, a história tem que ser assumida, e agora o que é que nós fazemos com a história, refletimos a partir dela”
De acordo com o especialista, a data poderia trazer ainda algum entendimento sobre como o descontentamento da população poderá ter contribuído para a ascensão da extrema-direita atualmente.
“Temos o dever também de perceber porque é que surgem movimentos de extrema direita na atualidade, o que é que nos conduz até eles, porque há adesão de uma parte da população”, diz.
Mais do que vandalizar ou até retirar a estátua, Rui Ferreira acredita que esta é uma “oportunidade para a mudança”.
“A Primeira República não trouxe coisas muito boas a Portugal e acho que devemos tirar essa lição também para os nossos dias, quando o regime entra em corrupção e há instabilidade, as pessoas também começam a olhar para esses movimentos como soluções viáveis, e isso é preocupante”.
