Catarina Miranda quer transformar “Descentrar” num programa de criação comunitária

Programa cultural da Câmara de Braga decorre este ano em apenas 17 freguesias e assume-se como “ano de transição”, com a vereadora da Cultura, Catarina Miranda a defender um modelo mais participativo.
Declarações de Catarina Miranda, vereadora da Cultura

O programa cultural “Descentrar”, promovido pela Câmara Municipal de Braga, arranca este ano mais tarde do que o habitual e assume-se como um “ano de transição” para um novo modelo que deverá ficar plenamente consolidado em 2027. A ideia foi deixada pela vereadora da Cultura, Catarina Miranda, na apresentação da edição deste ano, realizada em Sobreposta, primeira freguesia a acolher a iniciativa já em maio.

A edição de 2026 decorrerá apenas em 17 freguesias do concelho, numa mudança que a vereadora da cultura enquadra num processo de reformulação do projeto. Segundo Catarina Miranda, o atual modelo representa “um meio caminho” para aquilo que se pretende implementar no futuro, reforçando a ideia de que a cultura deve continuar a afirmar-se “como um direito de todos” e um instrumento de coesão territorial.

A principal mudança passa pela forma como o território é envolvido no programa. Até aqui, explicou a vereadora, o “Descentrar” levava programação cultural às freguesias, que funcionavam sobretudo como recetoras de iniciativas. Agora, o objetivo é transformar as comunidades em agentes ativos de criação cultural.

“O território pode ser algo mais, é preciso entender o território como espaço de produção”, defendeu Catarina Miranda, sublinhando que o “Descentrar” deixará de ser apenas um programa de circulação de espetáculos para assumir uma dimensão mais participativa e identitária. “Não é apenas palco, é memória coletiva”, afirmou.

O modelo de agrupamento de freguesias em células territoriais mantém-se, mas com novas dinâmicas. A programação passará a incluir um trabalho prévio com as comunidades locais, envolvendo associações, agentes culturais e população residente na construção das propostas artísticas. O objetivo é desenvolver espetáculos, oficinas, conversas ou outras iniciativas desenhadas a partir das características e vivências de cada território.

A vereadora destacou ainda que cada proposta deverá encontrar “o seu sentido no contexto em que se insere”, reforçando a ligação entre criação artística e lugar.

O programa decorrerá entre maio e novembro e contará com mais de 40 iniciativas, incluindo trilhos pedestres, literatura, oficinas, música, teatro, cinema, dança, atividades comunitárias e arte participativa, além da continuidade da “Roda da Tradição”, iniciada no âmbito de Braga Capital Portuguesa da Cultura.

A abertura acontece em Sobreposta, com um programa que inclui um trilho pedestre, oficina de leitura e um concerto da Sinfonietta de Braga.

Na apresentação, a secretária da Junta de Freguesia de Sobreposta elogiou a continuidade do projeto, considerando que o “Descentrar” tem sido importante para o desenvolvimento cultural das freguesias, sobretudo em territórios onde a população tem mais dificuldades em deslocar-se à cidade para assistir a eventos culturais. “É bom que seja a cultura a procurar as populações”, referiu.

Presidente da Junta de Gualtar criticou fortemente o modelo do Descentrar em plena conferência de imprensa

Apesar disso, o novo formato não reúne consenso entre todos os autarcas. O presidente da Junta de Gualtar, João Vieira, foi um dos autarcas que marcou presença na sessão e fez questão de manifestar desagrado com os critérios adotados nesta edição, afirmando que há cerca de 20 presidentes de junta “altamente desagradados” com a seleção das freguesias abrangidas.

O autarca considera que o programa “não está bem organizado” e lembra que o “Descentrar” passou apenas uma vez por Gualtar. A vereadora da Cultura procurou explicar o modelo e argumentar o critério adotado nesta fase transitória, sublinhando ainda que teve pouco tempo para se dedicar de forma aprofundada à transformação do projeto mas do lado daquele presidente de junta foi recusada a ideia de compreensão das justificações apresentadas insistindo na necessidade de uma reunião conjunta entre todos os presidentes de junta e a vereadora da cultura. Mais tarde, João Vieira acabaria por prometer levar estas críticas aos locais próprios [Assembleia Municipal de Braga], insistindo nas críticas à vereadora.

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Elsa Moura
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Diretora de Informação

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Sérgio Xavier
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