Candidatura do São João de Braga a Património Cultural é um “ato de justiça” e foi entregue em maio 

Associação de Festas diz que inventariação "representa um passo fundamental para a salvaguarda e valorização" do São João de Braga.

A candidatura das festas do São João de Braga ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial foi entregue em maio.

Enraizadas na identidade da cidade, com origem popular e espontânea, fundem tradição religiosa e expressão profana, refletindo valores históricos, sociais e simbólicos partilhados por gerações.

No documento apresentado, a Associação de Festas diz que o São João de Braga “testemunha a memória coletiva e identidade bracarense, integra elementos tradicionais e contemporâneos, promovem o sentimento de pertença e coesão social e envolvem associações, instituições e a população de todas as idades”.

A nível social e cultural, as festas evoluíram ao longo dos anos, “adaptando-se às mudanças políticas, sociais e religiosas”. Além disso, estendem-se por todo o território urbano e freguesias, mantendo viva a ligação entre fé e festividade popular. “Os espaços de culto (como a Capela de São João da Ponte e a Igreja de São João do Souto) têm importância litúrgica contínua”, alegam. As festas Sanjoaninas “envolvem centenas de participantes e coletividades locais”, um facto evidenciado na candidatura.

Para manter a tradição e passar o legado, a Associação de Festas “promove livros, oficinas e atividades educativas”.

Quanto aos riscos associados, a AFSJB aponta que “a crescente secularização da sociedade portuguesa, sobretudo entre as gerações mais jovens, poderá traduzir-se numa redução da participação nas celebrações religiosas ao longo das próximas décadas”. “Outro dos aspetos que tem sido alvo de particular atenção por parte da Associação de Festas, tem sido o tradicional Cortejo das Rusgas, que dá o mote para a noitada de São João. Este cortejo tem sido menos procurado pelos grupos tradicionais locais, por motivos variados, em contraposição à presença no Cortejo Etnográfico, que tem aumentado o número de participantes ano após ano”, acrescenta.

As festas, lê-se ainda na candidatura, “contribuem para o turismo, economia local e comércio, reforçam laços sociais e a identidade cultural de Braga e fazem parte da estratégia de desenvolvimento sustentável e promoção da cidadania cultural”.

“O presente pedido de inventariação e inclusão das Festas de São João de Braga no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial representa um passo fundamental para a sua salvaguarda e valorização. A consolidação deste património documental é, assim, imperativa para assegurar a perenidade e autenticidade das Festas de São João de Braga, permitindo que as gerações vindouras compreendam e perpetuem esta manifestação singular da identidade bracarense”, argumentam.

Ontem, na apresentação pública da candidatura, o presidente da Câmara, Ricardo Rio, alegou que esta inscrição “não é apenas um benefício, é também uma exigência e cumprimento de critérios, de valorização de aspetos que estão inerentes à candidatura e que, de certa forma responsabiliza quem quer que venha a assumir funções a seguir, nas gerações vindouras”.

Firmino Marques, presidente da Associação de Festas do São João de Braga, fala de um “ato de justiça”. 

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Liliana Oliveira
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