Braga respira melhor. Quebra de 25% na poluição põe a cidade abaixo do limite europeu

A cidade de Braga registou uma diminuição de 25% na concentração de dióxido de azoto (NO₂) numa das artérias mais movimentadas do concelho. Os dados mais recentes da estação de medição da Circular Sul indicam que a poluição automóvel desceu para valores dentro dos limites legais europeus, uma quebra que o executivo municipal justifica com o reforço da mobilidade sustentável e o aumento das áreas verdes.
Estação independente confirma descida dos valores

A estação de medição localizada na Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires, zona de forte pressão rodoviária, revelou uma alteração na qualidade do ar local. A concentração média de dióxido de azoto baixou de 42 µg/m³ para 31 µg/m³, passando assim a cumprir o limite legal europeu, que está fixado nos 40 µg/m³.
No rescaldo do Dia Nacional da Qualidade do Ar, o vice-presidente da câmara bracarense, Altino Bessa, destacou que estes indicadores têm origem numa infraestrutura independente, não controlada pela autarquia.

“Os dados são como o algodão, não enganam, não são feitos por nós, a estação não é monitorizada por nós, é gerida por uma entidade completamente independente.”
— Altino Bessa, vice-presidente da Câmara Municipal de Braga
Autarquia rejeita críticas ao abate de arvoredo e destaca frota dos TUB
A descida do dióxido de azoto é justificada pelo município com as medidas ambientais implementadas a nível local. Confrontado com a perceção pública de que a cidade tem perdido espaços verdes, o executivo rejeita as críticas. Altino Bessa garante que a autarquia tem um rácio de plantação largamente superior aos abates, assegurando que, nos últimos anos, foram plantadas “mais de 10 mil árvores” apenas em espaço urbano.
Para além da florestação, o vice-presidente atribui grande parte deste sucesso à forte aposta na mobilidade limpa. A melhoria, defende, “tem muito a ver com os Transportes Urbanos de Braga” (TUB), cuja frota municipal já conta com “cerca de 60% de veículos elétricos com emissões de CO2 zero”.
Dados locais da rede “Monitar” acompanham tendência
Para além da estação da Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires, que afere o cumprimento das diretrizes europeias, o município utiliza uma rede própria de vigilância ambiental. O sistema “Monitar” estende-se por 12 pontos do concelho.
Segundo o vice-presidente da autarquia, as medições destas estações locais indicam que não existem, de momento, zonas em incumprimento no que toca aos valores legais de poluição.
“Verificamos que nesses 12 pontos a qualidade do ar é satisfatória. Não temos nenhum local onde ultrapasse os valores legais.”
O registo favorável de 31 µg/m³ afasta, para já, a Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires da zona de incumprimento das diretrizes europeias. Ainda assim, com a pressão do tráfego rodoviário a marcar o dia a dia da cidade, o acompanhamento contínuo das partículas em suspensão e dos gases poluentes será o único indicador capaz de confirmar a eficácia prática das alterações na rede de mobilidade urbana bracarense.
